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“Com uma liderança federal forte, o combate à pandemia seria bem melhor”, afirma o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD)
O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), criticou o discurso adotado por Jair Bolsonaro sobre as medidas para conter o avanço do novo coronavírus. Para Kalil, Bolsonaro adotou o caminho da demonização dos prefeitos e governadores.
“Fica parecendo que quem não quer morrer é comunista. E quem quer morrer, mas protesta em caminhonete cabine dupla, é de direita. Enquanto isso, a gente vê cidade que não tem um respirador sequer abrindo o comércio”, afirmou, criticando a politização da pandemia pelo presidente da República.
“A fala de um presidente é muito importante. Se tivéssemos uma liderança federal forte, o combate à pandemia seria bem melhor. Imagine se [João] Doria e Wilson [Witzel] não tivessem parado São Paulo e Rio? O Brasil já teria uns 50.000 mortos”, comentou.
Alexandre Kalil (PSD), que foi dirigente de futebol por mais de uma década e presidiu o Clube Atlético Mineiro de 2008 a 2014, avalia que o fato de BH ter sido uma das primeiras capitais a estabelecer medidas de restrição foi fundamental para conter o avanço do vírus.
“Na pandemia, a palavra final é dos cientistas. O que eles mandam fazer, eu faço. Como não sou médico nem infectologista, sigo a cartilha e apenas entrego o dinheiro para executarem a parte social e de saúde”, disse em entrevista ao El País Brasil.
A capital mineira lida com situação relativamente estável no sistema de saúde público da capital mineira. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro veem uma iminente lotação dos leitos de UTI e de enfermaria por conta dos contaminados com a Covid-19, BH tem 49% dos leitos intensivos ocupados. Já os leitos comuns estão com 70% da capacidade livre.
A preocupação de Kalil, no entanto, é com a pressão que casos de coronavírus registrados na região metropolitana possam exercer no sistema de saúde da capital. Por isso, reforça as críticas ao posicionamento contrário de Bolsonaro às medidas de quarentena.