Eles estão apavorados com uma possível colaboração premiada do banqueiro que abriria a cumplicidade do governo Bolsonaro com seus crimes e sua ascensão meteórica
A tropa bolsonarista está mapeando os votos no Supremo Tribunal Federal (STF) para livrar Daniel Vorcaro da prisão. Eles estão se pelando de medo de um possível acordo de colaboração premiada do banqueiro.
As articulações de bastidores são para tentar soltar o banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações sobre essas movimentações bolsonaristas são do blog da jornalista Andrea Sadi, da Rede Globo.
Na Segunda Turma apenas quatro ministros vão decidir se ele permanece preso ou não. O ministro Dias Toffoli declarou que por uma questão de foro íntimo, não vai participar da decisão. Os demais integrantes são Gilmar Mendes (Presidente), Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça.
A conta dos apoiadores de Flávio Bolsonaro nesse caso é que, com Toffoli fora, a Segunda Turma passa a julgar o caso com quatro ministros. Com isso, um eventual empate favorece o réu – o que significaria a libertação de Vorcaro.
O banqueiro foi preso no dia 4 e está detido numa cela em um presídio federal de segurança máxima em Brasília. Com medo de ter o mesmo destino de seu “sicário”, suicidado na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, Vorcaro já orientou seus advogados a dizerem que ele não pretende fazer um acordo de colaboração premiada.
No caso de uma colaboração, ele teria que abrir quem foram os cúmplices políticos de sua ascensão meteórica. Vorcaro seria obrigado a contar como conseguiu do Banco Central, sob gestão Roberto Campos Neto, a autorização para agir de forma predadora e criminosa no mercado financeiro, que redundou num rombo de mais de R$ 50 bilhões.
Teria que explicar também a troco de que conseguiu vender uma carteira abarrotada de títulos podres e falsos, no valor de R$ 12 bilhões, para o BRB (banco público de Brasília). Teria que dar detalhes sobre as tratativas com o governador do DF, Ibaneis Rocha, para a escandalosa compra de seu banco falido pelo banco de Brasília.
Teria que dar detalhes também sobre a “emenda Master”, do senador bolsonarista Ciro Nogueira, que, ao propor elevar a garantia do FGC (fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o autorizaria a ampliar ainda mais os seus crimes. Em mensagens obtidas pela PF, ele comemorou a ajuda do “amigo de sua vida”.
Ele teria que apontar ainda como conseguiu captar R$ 1 bilhão do fundo de aposentados do Rio de Janeiro (Rioprevidência) às vésperas da liquidação do banco. Seria questionado também sobre as dez viagens do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira em seu jatinho particular durante a campanha de Jair Bolsonaro. Quem pagou essas viagens. Quais as ligações dele com o deputado mineiro.
Também teria que falar sobre os motivos que o levaram a aportar R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e mais R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas no mesmo ano. Os recursos foram injetados através de seu cunhado, Fabiano Zettel, pastor da Igreja da Lagoinha, em BH, que também está preso. Zetel foi o maior colaborador individual das duas candidaturas.
Nesta quinta-feira (12), a defesa do banqueiro negou que ele esteja negociando um acordo de colaboração. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma do Supremo começa a julgar se Vorcaro deve ou não continuar preso. Os ministros vão analisar a decisão que o colocou de volta à prisão por risco para a ordem pública e as investigações.











