Medida semelhante foi usada como pretexto para a agressão à Venezuela e o sequestro de seu presidente
O ministro das Relações Exteriores do Brasil Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado americano Marco Rubio no domingo (8).
O representante brasileiro colocou em pauta o tema da propalada intenção do governo dos EUA de classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras.
O Brasil diferencia bem o que é o crime organizado, que visa enriquecer e se fortalecer praticando os seus crimes, das organizações terroristas estrangeiras que praticam seus crimes com objetivos políticos, o que não é o caso dessas duas facções. Este tipo de definição tem como objetivo abrir espaço para intervenções militares dos EUA nos países da região.
A iniciativa foi utilizada pela administração Trump para atacar a Venezuela e sequestrar seu presidente com vistas a controlar o petróleo venezuelano. Eles classificaram como organização terrorista estrangeira o Cartel de los Soles, organização que, segundo especialistas, nem existe e, ainda por cima, Trump mentiu dizendo que ela era chefiada pelo então presidente Nicolás Maduro.
Na época, Trump afirmou que a inclusão daria aos EUA o poder de atacar alvos ligados a Maduro em território venezuelano. A partir dali Trump mandou bombardear embarcações de pescadores matando dezenas de pessoas e acabou invadindo a Venezuela para sequestrar seu presidente.
Fontes ligadas ao governo Trump que atuam no Brasil confirmam que a ideia é encabeçada por Marco Rubio – este sim ligado ao narcotráfico (leia detalhes aqui) – e está bem avançada. A proposta deve, nos próximos dias, ser levada ao Congresso para ratificação.
Após as agressões de Trump à Venezuela, o governo dos EUA parou de falar em combate ao narcotráfico no país e, cinicamente, passou a falar sobre o controle da produção e da comercialização do petróleo venezuelano. Ou seja, a ação no país foi por pura cobiça dos americanos sobre a maior reserva de petróleo do mundo, que fica na Venezuela.
Em reunião no fim de semana com alguns presidentes mais serviçais da América Latina, Trump voltou a defender que sejam usados bombardeios nesses países para um suposto combate ao narcotráfico. Disse que os próprios países podiam fazer isso, mas que, se necessário, podia ajudar nesta questão.
Ele falou em combate ao crime e ao tráfico, mas deixou escapar que o objetivo principal do encontro era “reduzir a influência de potências estrangeiras no continente”. Por isso chamou o grupo que compareceu ao seu campo de golfe perto de Miami, de “Escudo das Américas”, numa clara alusão à forte presença econômica da China na região.
Em suma, Trump está querendo usar um suposto combate ao narcotráfico para militarizar a América Latina, estimular o uso da violência e favorecer a sua disputa econômica com a China. Esta postura favorece também as suas agressões, como a que vem fazendo com Cuba. Seus ataques não são dirigidos aos criminosos de verdade. Eles miram países que não aceitam ser submetidos à sua arrogância e à sua exploração.











