Despesas básicas, como alimentos e luz, pressionam a renda do trabalhador
Mais da metade (53%) dos trabalhadores brasileiros chega ao fim do mês sem dinheiro suficiente para pagar todas as despesas depois de receber o salário, segundo Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores, realizada pela Serasa Experian.
Do total de respondentes, 47% afirmam recorrer a recursos ou alternativas adicionais para fechar as contas, enquanto 6% chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente e sem utilizar nenhuma opção extra. Apenas 47% conseguem encerrar o período com recursos disponíveis.
Entre aqueles que não chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente, as despesas básicas são as que mais pressionam a renda, como alimentação, para 78% dos entrevistados, e contas de luz, água e gás, citadas por 72%.
Em que pese a desaceleração da inflação, os preços dos alimentos ainda pesam no bolso do consumidor, somado às altas tarifas de energia. Muitos trabalhadores recorrem a financiamentos junto a bancos para pagar contas básicas, comprometendo ainda mais a renda com as abusivas taxas de juros.
Para o diretor Délber Lage, da Serasa, com a renda comprometida, “essa falta de margem pode levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia”.
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), da Confederação Nacional do Comércio, em julho, 82% das famílias estavam endividadas. “O que significa menos espaço no orçamento para consumir além do básico”, diz a entidade, ressaltando também o alto nível de inadimplência: 29,9% tinham contas em atraso.
Para a CNC, as medidas como a renegociação de dívidas dos consumidores, embora aliviem momentaneamente, precisam vir acompanhadas da queda de juros “para que sejam dadas as condições de equilíbrio para quem consome, produz, investe e gera empregos”.
Um dos vilões do endividamento das famílias é o cartão de crédito com juros no rotativo para além de 440% ao ano.
Na pesquisa da Serasa, na sequência dos gastos que mais comprometem a renda, depois da alimentação e contas de luz, água e gás, estão os financiamentos de imóveis ou veículos (44%), roupas, utilidades e outros itens de consumo (43%), empréstimos (33%) e estudos (22%).
Para o diretor Délber Lage, da Serasa, com a renda comprometida, dificultando o trabalhador de lidar com imprevistos, “essa falta de margem pode levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia”.











