66 caixas de despojos do genocídio entregues ao Hospital Shifa revelam roubo de órgãos por Israel

Restos mortais de palestinos chegam em caixas a Gaza (Maktoub Media)

“É difícil descrever isso. É isso que está acontecendo com o povo da Palestina. Essa é a causa da nossa época”, disse o deputado britânico Jeremy Corbyn       

Em fevereiro deste ano, o deputado britânico Jeremy Corbyn relatou de uma carta que recebeu do diretor do Hospital Al Shifa, na Faixa de Gaza, sobre a entrega de várias caixas contendo restos mortais mutilados de palestinos.

“É difícil descrever isso”, disse Corbyn. “É isso que está acontecendo com o povo da Palestina. Essa é a causa da nossa época.”

A carta do Dr Mohammed Abu Salmiya, recebida por Corbyn, descreve a entrega de 66 caixas por militares de Israel, contendo os restos mortais de palestinos mortos durante o genocídio. Quando funcionários do hospital abriram as caixas, eles encontraram crânios humanos.

O médico relatou que muitos dos restos mortais estavam irreconhecíveis, pelo estado avançado de putrefação, e mutilados. Corpos de mulheres palestinas, mortas pelas forças de Israel, apresentavam evidência de que sofreram cirurgias, levando à conclusão de roubo de órgãos.

Alguns dos cadáveres apresentavam “características anômalas”, como as marcas de cirurgias mostrando remoção de órgãos antes da devolução dos corpos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, que na época confirmou a entrega das caixas contendo restos mortais de palestinos mortos por Israel.

Em setembro do ano passado, o próprio Dr Mohammed Abu Salmiya virou notícia internacional, quando recebeu no Hospital Al Shifa, os corpos de seis membros de sua própria família, mortos em um ataque aéreo israelense que atingiu sua casa no campo de refugiados Al Shati, a oeste da cidade de Gaza.

“Esta é a casa da família onde moramos. Meu irmão, dois filhos do meu irmão, a esposa do meu sobrinho e dois dos filhos deles foram martirizados”, disse o Dr Abu Salmiya à CNN na época. O ataque matou os seis familiares dele e deixou mais sete feridos.

GENOCÍDIO QUE NÃO CESSA

Na quinta-feira (30), em Gaza, Israel bombardeou áreas no sul de Khan Younis e o campo de refugiados de Al-Bureij no centro de Gaza, matando quatro palestinos, incluindo duas crianças; mais de 30 palestinos ficaram feridos.

Israel continua a massacrar a população de Gaza diariamente, mesmo com o cessar-fogo anunciado em outubro do ano passado. Desde então, Israel matou mais 1.214 palestinos e mais 3.977 ficaram feridos nos ataques.

DDesde o começo do genocídio em outubro de 2023, Israel matou mais 73.341 e mais 174086 ficaram feridos, na maioria mulheres, crianças e idosos. Gaza é ainda o lugar no mundo com o maior número de crianças com amputações.

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