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Na última terça-feira (25), as ruas do tradicional bairro do Bixiga, no centro da capital paulista, foram tomadas pela alegria e pela cultura popular durante o desfile do Bloco UMES Caras Pintadas. Este ano, o bloco homenageou Denoy de Oliveira, fundador do Centro Popular de Cultura (CPC) da UMES, celebrou a memória do sambista Kaká Silva, além de reverenciar o legado do dramaturgo Plínio Marcos.
O desfile, que já é um dos mais tradicionais do Carnaval de São Paulo, reuniu foliões de todas as idades, que cantaram e dançaram ao som da marchinha composta por Vagner Maciel. A música, entoada com entusiasmo pelos participantes, ecoou pelas ruas do Bixiga, levando consigo a história e a resistência da cultura popular brasileira.
A presidente da UMES, Valentina Macedo, destaca que o objetivo do bloco é o de espalhar a cultura popular. “O Bloco da UMES é sempre incrível, envolve bem a comunidade do Bixiga e também pessoal que vêm de fora. Acho que cumprimos nosso papel de espalhar cultura popular, com um Bloco de alta qualidade! Esse ano em especial se destacou pela energia”, comemorou.
“A animação da galera, o coro com nossa marchinha e o orgulho de ter como grande referência nossa Denoy de Oliveira! Posso dizer que a escolha do tema do nosso Bloco foi bem acertado e da uma prévia de bons projetos que virão esse ano”, completou Valentina.
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HOMENAGENS
Denoy de Oliveira, figura central da homenagem deste ano, foi lembrado como um dos grandes nomes na luta pela democratização da cultura no Brasil.
Diretor, ator, produtor, dramaturgo, roteirista, compositor, Denoy de Oliveira foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da UNE em 1963 e, a partir daí, passou a figurar entre os gigantes da cultura brasileira. Em 1964, após o fechamento do CPC pelo Golpe Militar, funda junto com Ferreira Gullar, Vianninha, João das Neves, Teresa Aragão, Paulo Pontes, Armando Costa e Pichin Plá o Grupo Opinião.
Dedicou sua vida à arte e cultura brasileira, sendo premiado nacional e internacionalmente por diversos filmes como 7 Dias de Agonia (O Encalhe) (1982), O Baiano Fantasma (1984) e A Grande Noitada (1997), além de curtas, médias e documentários. Em 1994 ajudou a fundar o Centro Popular de Cultura da UMES sendo um dos alicerces do trabalho da entidade estudantil secundarista de São Paulo.
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Junior Fernandes, coordenador do bloco, destacou a importância de manter viva a memória de Denoy:
“O Bloco UMES Caras Pintadas fez uma homenagem a Denoy de Oliveira, que foi muito importante para a criação do Centro Popular de Cultura e é uma grande referência na luta da cultura popular brasileira. Ele deixou um legado que inspira gerações e que precisa ser celebrado”, afirmou.
Outro momento emocionante do desfile foi a homenagem ao sambista Kaká Silva, líder da banda “Companhia Paulista de Samba”, que por anos animou o bloco. Kaká, que faleceu há cerca de um mês, foi lembrado com carinho e saudade pelos participantes. “Kaká Silva era um sambista da maior categoria, e sua presença sempre foi fundamental para a nossa festa. Esta edição foi dedicada a ele, com muito amor e respeito”, completou Junior Fernandes.
TRADIÇÃO E RESISTÊNCIA
Após o desfile, a Bateria “Galo de Rinha”, do Bloco Kolombolo, agitou os presentes no encerramento da festa, fazendo referência à história de Plínio Marcos, dramaturgo que retratou as lutas e as dores da periferia em suas obras.
“A alegria tomou conta das ruas do Bixiga. Viva Denoy, viva Kaká Silva e viva Plínio Marcos!”, declarou Junior Fernandes, resumindo o espírito do evento.
O Bloco UMES Caras Pintadas, além de levar diversão aos foliões, reforça seu papel como um espaço de memória e luta cultural.
Neste ano, o 32º desfile do bloco mostrou que o Carnaval é mais do que uma celebração: é um ato de resistência e um tributo àqueles que dedicaram suas vidas à cultura popular.
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