
“Pude sentir nas ruas o apoio popular que [ela] tem recebido”, acrescentou o presidente brasileiro
O presidente Lula visitou, na quinta-feira (3), a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em Buenos Aires, e disse acreditar em sua inocência.
“Visitei hoje a companheira e ex-presidenta Cristina Kirchner em sua residência, em Buenos Aires. Fiquei muito feliz em revê-la e encontrá-la tão bem, com força e gana de luta. Tenho por Cristina uma amizade de muitos anos que vai muito além da relação institucional. Um carinho e afeto de amigos, companheiros de campo político e de ideais de justiça social e combate às desigualdades”, escreveu o presidente em suas redes sociais.
“Além de prestar minha solidariedade a ela por tudo que tem vivido, desejei toda a força para seguir lutando com a mesma firmeza que tem sido a marca de sua trajetória na vida e na política. Pude sentir nas ruas o apoio popular que tem recebido e sei bem o quanto é importante esse reconhecimento nos momentos mais difíceis”, continuou.
O presidente foi aplaudido por apoiadores da ex-presidente na chegada e na saída da residência dela.
Lula posou para fotos com um cartaz dizendo “Liberdade para Cristina”, que foi condenada no dia 10 de junho por fraude em licitações e está em prisão domiciliar, por seis anos. A ex-presidente denuncia que a condenação é uma perseguição política.
Após a visita a Cristina Kirchner, Lula esteve com Adolfo Pérez Esquivel, premiado com o Nobel da Paz em 1980. Segundo pessoas que estiveram no encontro, Lula afirmou que acredita na inocência da ex-presidente.
Lula viajou para a Argentina para participar da 66ª Cúpula do Mercosul, evento no qual o Brasil recebeu a Presidência rotativa do grupo.
Em discurso, Lula falou que está “confiante” de que o acordo comercial com a União Européia será assinado até o fim do ano. Ele disse, também, que o Mercosul pode ser um agente da paz “quando o mundo se mostra instável e ameaçador”.
Segundo Lula, “é hora de o Mercosul olhar para a Ásia, centro dinâmico da economia mundial. Nossa participação nas cadeias globais de valor se beneficiará de maior aproximação com Japão, China, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia”. A posição é contrária à do presidente da Argentina, Javier Milei, que advoga submissão a Donald Trump.