Disputa por vaga no Estado expõe ruídos entre aliados do ex-presidente em rota potencial de colisão contra Carol De Toni e Carlos Bolsonaro. O senador Esperidião Amin (PP-SC), neste momento, está sendo “rifado” pelo bolsonarismo
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, reagiu publicamente à articulação que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na definição de nomes para a disputa ao Senado em Santa Catarina.
Sem citar diretamente os nomes envolvidos, Ciro Nogueira afirmou que “política se faz com palavra e compromisso”. Segundo ele, acordos precisam ser respeitados para garantir unidade no campo conservador.
“Quem tem palavra constrói alianças duradouras. Quem não tem, constrói instabilidade”, disse o senador, em fala interpretada como recado indireto às articulações em curso.
No sábado, pelas redes sociais, Ciro Nogueira compartilhou uma reprodução de reportagem em que Carol de Toni pede uma carta de Bolsonaro para não deixar o PL. “Nós dos Progressistas somos do tempo em que acreditamos em PALAVRA!!!!!!”, escreveu.
Segundo aliados, Bolsonaro já decidiu que os candidatos ao Senado no Estado são: a deputada federal Carol De Toni (PL-SC) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente, exportado para Santa Catarina.
Com isso, Bolsonaro deu um chega para lá em Esperidião Amin, do PP de Ciro Nogueira.
Ao site Metrópoles, o senador declarou que, com a decisão de Bolsonaro por Carol e o filho, o PP tomará outro rumo e comporá uma chapa de oposição à chapa bolsonarista. “Se depender de mim, o Progressistas procura um novo caminho”, ameaçou.
Interlocutores do PP afirmam que há entendimento prévio sobre a condução das candidaturas ao Senado em Estados estratégicos e que mudanças abruptas poderiam gerar ruídos na coalizão de direita.
AMIN SOB PRESSÃO
Com a iminente entrada de novos nomes apadrinhados diretamente por Bolsonaro, Esperidião Amin passou a ser visto por setores do bolsonarismo local como peça “rifada” na montagem da chapa para 2026.
Aliados do senador avaliam que a articulação representa quebra de compromisso político e ameaça a coesão do campo conservador no Estado. “Amin sempre esteve ao lado das pautas da direita. Não faz sentido descartá-lo dessa forma”, afirmou dirigente partidário próximo ao parlamentar.
A leitura nos bastidores é que, com 2 vagas ao Senado em disputa, Bolsonaro busca maximizar o controle direto sobre as candidaturas, mesmo que isso implique rachar com aliados históricos. Neste caso, o senador Esperidião Amin.
A escolha sectária de Bolsonaro ameaça a candidatura de Jorginho Mello à reeleição ao governo estadual, com a perda de aliados importantes. O MDB já decidiu sair da coligação e apoiar outro nome, provavelmente do PSD, também escanteado no processo de montagem da chapa bolsonarista.
PLANO DE BOLSONARO
Jair Bolsonaro tem atuado pessoalmente na construção de candidaturas estaduais visando fortalecer o grupo político que ele lidera no Congresso. Santa Catarina é considerado um dos redutos mais bolsonaristas do País, o que torna a disputa pela vaga ao Senado altamente estratégica.
A eventual candidatura de Carlos Bolsonaro fora do Rio de Janeiro é vista por aliados como tentativa de ampliar a projeção nacional e garantir foro privilegiado em caso de eleição.
Carol De Toni, alinhada ideologicamente ao ex-presidente, é apontada como nome orgânico do bolsonarismo catarinense, com base consolidada no Estado.
“Santa Catarina é prioridade. Precisamos dos melhores nomes para garantir maioria no Senado”, afirmou aliado próximo ao ex-presidente.
REAÇÕES E RUÍDOS NA DIREITA
A movimentação provocou reações em lideranças locais. Integrantes do PL em Santa Catarina defendem que a escolha leve em conta o histórico político no Estado. “Não é apenas uma disputa de sobrenomes, é uma construção partidária”, afirmou dirigente regional sob reserva.
Analistas avaliam que o episódio revela dilema recorrente no campo bolsonarista: equilibrar interesses familiares, lideranças regionais e alianças partidárias nacionais.
“A fala de Ciro Nogueira não é casual. Ela sinaliza que há limites para movimentos unilaterais”, observou cientista político ouvido pela reportagem.
ESTRATÉGIA PARA 2026
A disputa em Santa Catarina antecipa o cenário para as eleições de 2026, quando 2 vagas ao Senado estarão em jogo em cada Estado. O controle da Casa é considerado central para a direita, especialmente diante de pautas sensíveis como indicações ao STF (Supremo Tribunal Federal) e eventuais processos de impeachment de ministros da Corte.
O bolsonarismo quer tensionar e emparedar o STF. Por isso, o projeto estratégico eleitoral da extrema-direita é fazer maioria no Senado.
Ao mencionar a “palavra” empenhada, Ciro Nogueira reforça a cobrança por previsibilidade nas alianças. O episódio evidencia que, embora o bolsonarismo mantenha coesão ideológica, a disputa por espaço e protagonismo dentro do campo conservador tende a se intensificar à medida que o calendário eleitoral se aproxima.
Nos próximos meses, a definição dos nomes em Santa Catarina poderá servir como termômetro da capacidade de articulação — e de acomodação de interesses — no núcleo político-familiar de Bolsonaro.











