População protesta contra privatização de áreas verdes de São Paulo: “Parque não é shopping”

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mais de 600 manifestantes ocuparam o Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, neste domingo (26), em um protesto contra o edital da gestão de Ricardo Nunes que prevê a instalação de polos gastronômicos em áreas verdes. Sob o lema “Parque não é shopping”, o ato reuniu frequentadores, moradores, associações e parlamentares, em reação direta ao plano da prefeitura.

O parque, tombado desde 1986, está entre os 31 espaços incluídos na proposta municipal, que prevê a criação de quiosques e outros pontos de alimentação. A mobilização teve momentos simbólicos, como o “abraço no parque” e o “abraço no lago”. “Foi bem representativo, as falas foram muito boas. Nós fizemos o abraço no parque e depois o abraço no lago, foi sensacional, foi acima das expectativas”, afirmou Roberto Casseb, um dos organizadores. Ele ainda destacou: “Início de uma luta em favor dos outros parques”.

O ato contou com a presença dos deputados estaduais Maurici e Carlos Giannazi, além dos vereadores Nabil Bonduki, Amanda Paschoal e Marina Bragante. A articulação também envolveu conselheiros e usuários do parque, que apontam riscos ambientais e de descaracterização dos espaços públicos ao longo do tempo.

De acordo com o edital, a prefeitura pretende conceder o uso de áreas específicas dentro dos parques para exploração comercial de alimentos, com estruturas fixas e móveis. No caso do Parque da Aclimação, estão previstas duas áreas para pontos fixos de alimentação, com até 20 metros quadrados cada.

As regras variam conforme o local. Em uma das áreas, próxima aos portões principais, não será permitido o uso de mesas e cadeiras. Já na região próxima aos banheiros, haverá autorização limitada para mobiliário de apoio. Em ambos os casos, as estruturas deverão ser removíveis e obedecer a regras para evitar impacto sobre a vegetação e preservar as características do parque.

Um dos pontos mais criticados pelos manifestantes envolve a área onde existia uma antiga cancha de bocha. Atualmente degradado, o espaço ainda é utilizado de forma improvisada por frequentadores. Moradores defendem a recuperação da atividade, vista como um importante ponto de convivência coletiva, e não sua substituição por estruturas comerciais.

Representando a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a chefe de gabinete Tamires Oliveira afirmou que o projeto não prevê a instalação de restaurantes de alto padrão nem a “mercantilização” dos parques. “A gente não está falando de grandes restaurantes. São ocupações pequenas, com área controlada e pensadas para se adequar ao parque”, explicou.

Segundo ela, a proposta vem sendo debatida há anos dentro da administração municipal e busca contribuir com a manutenção dos espaços. Os pontos funcionariam por meio de termos de permissão de uso, com possibilidade de pagamento de taxas ou investimentos diretos em melhorias.

A representante da pasta também respondeu às críticas sobre privatização. “Não é concessão, não é privatização. É um instrumento mais simples, que pode ser encerrado facilmente se houver descumprimento”, disse. Ela acrescentou que a fiscalização seguirá sob responsabilidade da própria prefeitura.

Apesar das explicações, o movimento promete continuidade. Um novo ato já está previsto para o Parque Augusta, na Consolação, dentro de três semanas, indicando que a disputa sobre o uso dos parques públicos na cidade está longe de terminar.

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