A cidade mineira de Juiz de Fora vive uma das piores catástrofes de sua história após registrar o mês mais chuvoso já registrado no município, com cerca de 584 milímetros de chuva acumulados em fevereiro, sendo mais do que o dobro da média esperada e um volume que superou todas as estimativas históricas. A forte chuva desencadeou enchentes, deslizamentos de terra e transbordamentos de rios que deixaram dezenas de mortos, desaparecidos, famílias desabrigadas e a prefeitura decretando estado de calamidade pública para tentar responder à tragédia.
O temporal que começou no fim da tarde de segunda-feira (23) não deu trégua e em poucas horas colocou bairros inteiros sob água, com o rio Paraibuna transbordando e córregos rompendo margens, bloqueando vias e isolando comunidades enquanto as águas avançaram sobre casas e ruas, levando móveis, veículos e detritos pela correnteza.
Segundo dados oficiais, ao menos 25 pessoas morreram até o momento em diferentes pontos da cidade em decorrência de inundações e deslizamentos, e cerca de 440 moradores estão desabrigados, acolhidos em abrigos improvisados montados em escolas e espaços públicos, enquanto as equipes de resgate seguem trabalhando.
Moradores relataram momentos de pânico enquanto a água subia rapidamente. Uma mulher que conseguiu sair de casa com dificuldade contou que ouviu o estrondo das paredes cedendo e precisou escalar objetos para se manter acima da água, descrevendo a cena como “o pior dia das nossas vidas, a água chegou de repente e nos pegou desprevenidos”. Nas redes sociais, vídeos mostram carros flutuando como se fossem brinquedos e famílias sendo resgatadas pelos bombeiros com cordas e barcos improvisados.
Os bombeiros e a Defesa Civil estão no limite das operações de busca e salvamento, recebendo centenas de chamados para moradores ilhados em telhados e encostas instáveis. “É um volume de água tão grande que a terra cedeu em vários pontos, e nós estamos trabalhando com muito cuidado para não colocar ninguém em risco”, disse um tenente do Corpo de Bombeiros envolvido nas ações, destacando o desafio de acessar áreas onde encostas podem deslizar a qualquer momento.
A prefeita da cidade afirmou nas redes sociais que a situação é gravíssima, mencionando que foram registrados múltiplos soterramentos e que bairros inteiros ficaram isolados, tornando essencial o apoio de equipes estaduais e federais. Ela explicou que as aulas foram suspensas em todas as escolas municipais e que servidores públicos foram orientados a trabalhar remotamente para diminuir o risco de deslocamento, além de pedir à população que evite sair de casa.
Familiares reunidos em abrigos improvisados descreveram a angústia de não saber o paradeiro de parentes. Um homem disse que deixou sua casa às pressas carregando apenas documentos e roupas, e que desde então não consegue contato com sua esposa e filho; voluntários e vizinhos se unem para procurar desaparecidos enquanto distribuem água, comida e cobertores para quem perdeu tudo que tinha.
O governo federal e estadual já se mobilizam para prestar assistência imediata, com envios de recursos e equipes especializadas para reconstrução de infra-estrutura crítica e apoio às famílias afetadas, e meteorologistas alertam que a região ainda pode receber mais chuva nos próximos dias, o que aumenta a preocupação com novas enchentes e deslizamentos.
Enquanto isso, a cidade contabiliza perdas materiais e humanas, e moradores tentam superar o choque inicial da tragédia e começar a reconstruir suas vidas em meio a ruas cobertas de lama, casas destruídas e a lembrança de um evento climático que entrou para os registros como o mais intenso que Juiz de Fora já enfrentou.











