Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alerta para a gravidade da agressão e condena EUA e Israel por desencadearem um conflito com civis como alvo dos agressores
“As bombas os mísseis não são a forma de resolver as diferenças, apenas causam morte, destruição e sofrimento humano”, afirmou o alto-comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, repudiando neste sábado (28) os covardes ataques promovidos pelos Estados Unidos e Israel ao Irã.
Condenando a chuva de mísseis desencadeada sobre a capital, Teerã, e as principais cidades iranianas, o representante da ONU defendeu o fim da barbárie para evitar mais danos à população – que já custou inúmeras vidas de civis. Volker Türk conclamou que “ajam com bom senso” no tratamento com as divergências com a República Islâmica, “reduzam a tensão e regressem à mesa das negociações, onde, poucas horas antes, procuravam ativamente uma solução”.
O alto-comissário reiterou que a negociação – palavra mantida de fora do vocabulário por Donald Trump e Benjamin Netanyahu – deve ser valorizada e honrada. “Esta é a única forma de resolver as profundas diferenças existentes, de forma duradoura”, assegurou Volker Türk, sublinhando que o direito internacional considera que a proteção de civis em conflitos armados deve ser prioritária.
Sem este compromisso de entendimento e paz, alertou Volker Türk, corre-se o risco de “um conflito ainda maior, que levará inevitavelmente a mais mortes de civis sem sentido e a destruição a uma escala potencialmente inimaginável, não só no Irã, mas em toda a região do Médio Oriente”.
Num dos ataques israelenses a uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul, foram assassinadas 60 meninas e 48 ficaram feridas. Segundo a agência EFE, o governador da província de Hormozgan, Mehrdad Hasanzadeh, confirmou a proporção do ataque à escola Shajareh Tayyebeh, que tinha 170 alunas matriculadas. A gravidade dos ferimentos pode aumentar o número de mortos nas próximas horas, assinalou.
RÚSSIA CONDENA AGRESSÃO DE TRUMP
O ato dos EUA e de Israel foi tão bárbaro que provocou um tsunami de repúdio internacional, com a Rússia advertindo que “a perigosa aventura” ameaça o Oriente Médio como uma “catástrofe”. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores da Rússia, a ação visa “destruir” o governo iraniano “por ter se negado a submeter-se aos ditames da força e do hegemonismo”.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, condenou Donald Trump, assinalando que “o pacificador está atirando para todo lado de novo”. “As conversas com o Irã eram só uma fachada. Todo mundo sabia disso. Então, quem tem mais paciência para esperar pelo triste fim do inimigo agora? Os EUA têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2500 anos. Vamos ver o que acontece em uns 100 anos…”, citou.
“AÇÃO MILITAR DOS EUA E DE ISRAEL GERA ORDEM INCERTA E HOSTIL”
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, expressou sua rejeição à “ação militar unilateral dos EUA e de Israel, que representa uma escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil”.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que atuou como mediador entre Washington e Teerã, disse estar “consternado” com o fato de “as negociações ativas e sérias terem sido mais uma vez prejudicadas”. “Exorto os Estados Unidos a não se envolverem ainda mais. Esta não é a guerra deles”, acrescentou.
Pedindo “moderação”, a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, conclamou os EUA e Israel ao “retorno imediato às negociações diplomáticas” em uma região “já tensa”.
Da mesma forma, o governo britânico insistiu para que a situação não seja deixada “degenerar em um conflito regional mais amplo”.
“AÇÕES IRRESPONSÁVEIS VIOLAM A PAZ, O DIREITO E A CARTA DA ONU”
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, declarou que seu país “condena” os ataques dos EUA e de Israel, asseverando que “essas ações irresponsáveis violam a paz e a segurança internacionais e constituem uma clara violação do direito internacional e da Carta da ONU”.
Na avaliação do primeiro-ministro libanês, Nawaf Saram, a operação conjunta dos EUA e Estado sionista representa uma “aventura” que ameaça sua segurança e unidade.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, chamar o brutal ataque propagandeado pelos agressores de “preventivo” não está em conformidade com o direito internacional, pois “um ataque preventivo pressupõe a existência de uma ameaça iminente”.
Em oposição à postura dos agressores, a União Africana (UA) defendeu “um diálogo contínuo” para o bem da população. “Qualquer escalada adicional corre o risco de exacerbar a instabilidade global”, disse o presidente da Comissão da UA, Mahamud Ali Yusuf, também alertando para as graves consequências para os mercados de energia, a segurança alimentar e a resiliência econômica, particularmente na África”.
O Ministério do Exterior da China defendeu que a soberania nacional, segurança e integridade territorial do Irã devem ser ser respeitadas, informa o site Global Times. “A China conclama a uma imediata suspensão das operações militares, que se evite a escalada das tensões, e se retome as negociações para a manutenção da paz e da estabilidade no Oriente Médio.











