“Eu tenho dito que o Irã é uma grande potência militar, comprovado pelos diversos inventários de capacidade militar do mundo”, afirmou Ronaldo Carmona
O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona, avaliou, em entrevistas a vários órgãos de imprensa, neste início de março, que a capacidade de resposta do Irã aos ataques iniciados por Israel e Estados Unidos é muito grande.
O especialista comentou a agressão combinada dos Estados Unidos e Israel ao Irã no último sábado (28), em meio a negociações que vinham sendo realizadas entre o governo do Irã e Estados Unidos. No ataque, foi morto o líder máximo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
“Eu tenho dito que o Irã é uma grande potência militar, comprovado pelos diversos inventários de capacidade militar do mundo”, afirmou Carmona. “Este é um país de classe militar mundial com força bastante significativa”, destacou. “O objetivo dos EUA e Israel foi tentar liquidar a capacidade de resposta do Irã, mas o Irã se preparou durante muito tempo para essa guerra”, acrescentou.
“O Irã tem se preparado para essa guerra porque estava claro, estava nítido, seja pelos documentos doutrinários de segurança nacional dos EUA, seja pelas declarações de Trump, seja inclusive pela concentração de meios, a começar por dois grandes grupos de porta-aviões, um concentrado no Mediterrâneo e outro no Golfo Pérsico, na maior mobilização militar que os EUA já fez desde a invasão do Iraque em 2003, que isso aconteceria”, argumentou
“O Irã busca resguardar as suas capacidades militares, tendo em vista a geografia do país. Trata-se de um país bastante montanhoso que desenvolveu uma técnica de escavação com instalações profundas, inclusive com instalação de bases militares nessas escavações profundas, justamente com vistas a impedir a destruição por parte de ataques de natureza aeronaval”, explicou o professor.
Sobre os armamentos, Carmona afirmou que o Irã está forte na área de mísseis e drones. “O Irã está muito desenvolvido em duas áreas. Uma na área de mísseis, tanto mísseis de cruzeiro como mísseis balísticos e a outra no setor de drones”, apontou. “Destaco, ainda, que o drone shahed 136 iraniano, por exemplo, pode atingir o território israelense. Esse é o mesmo drone que a Rússia está usando na guerra da Ucrânia”, acrescentou.
Carmona observou que eles têm também uma variedade grande de mísseis desenvolvidos. “Não por acaso os EUA dizem agora que um dos seus objetivos é eliminar o programa de mísseis do Irã”. “Inclusive”, prosseguiu Carmona, “hoje foi anunciado o lançamento de um míssil de uma plataforma naval, possivelmente de um submarino, o que demonstraria uma capacidade missilística nova, que não se conhecia até então do Irã”.
O professor da ESG qualificou o conflito como “extremamente intenso de parte a parte”. ‘Existem múltiplas operações utilizando diversos vetores a partir de diversos territórios e até mesmo de plataformas navais, como é o caso dos submarinos. EUA e Israel estão utilizando múltiplos vetores”, disse o especialista.
“Em situações assim é natural que ocorram erros de cálculo”, acrescentou, numa referência aos três caças F15 norte-americanos que foram abatidos pela defesa anti-aérea do Kwait.
O professor chamou a atenção também para o fato de que sem tropas no terreno, dificilmente os EUA atingirão seus objetivos declarados de mudança de regime no Irã. “Essencialmente, concluo que a ampliação dos objetivos estratégicos de Washington, que passa a ser explicitamente uma “mudança de regime”, está enfrentando uma resposta iraniana que busca ser proporcional ao tamanho da ameaça”, afirmou o professor da ESG.











