Master é uma amostra do que é crime “organizado de verdade”, diz relator da CPI

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado por fraude bilionária (Foto: Divulgação - Master)

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que “a lavanderia” do Banco Master era utilizada por facções, milícias, traficantes e políticos corruptos.

Segundo o relator, o escândalo do Banco Master é uma amostra didática do que é o crime organizado “de verdade”

Segundo o parlamentar, que foi delegado da Polícia Civil, “todos os crimes se encontram na lavagem [de dinheiro]. Crime organizado de verdade depende fundamentalmente de infiltração no Estado e de ferramentas de lavagem de dinheiro”.

“Essa lavanderia que era o Banco Master serviu para facção, para milícias, para narcotráfico, para corrupção de emendas parlamentares e para pagamento para compra de sentença”, ilustrou o senador.

Alessandro Vieira avalia que as facções criminosas buscam entrar, cada vez mais, na política e exercer um “domínio empresarial”.

“O criminoso que lucrava com tráfico de entorpecentes vai lucrar muito mais com uma licitação fraudada. E o risco dele é muito menor porque ele vai estar correndo na mesma raia que o político, daquilo que já está institucionalizado”, comentou em entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Ele explicou que “o Banco Master dá um aumento exponencial na infiltração, seja pelos valores, seja pelo alcance político”, com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e seus amigos tendo trânsito e nos governos municipais e estaduais.

O senador Alessandro Vieira também avalia que o Brasil “perdeu a oportunidade” de fortalecer o combate ao crime organizado no PL Antifacção por conta das mudanças no texto feitas pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP) e aprovadas pela Câmara dos Deputados.

A Câmara deu foco ao combate à criminalidade violenta, enquanto o Senado e o governo federal identificaram “falta de focalização no financiamento e no combate à lavagem [de dinheiro] e crimes mais sofisticados”.

“Aprovamos por unanimidade no Senado um texto que combatia o crime no andar de cima e no andar de baixo. Quando esse texto volta para os deputados, eles, infelizmente, retomam trechos do texto anterior”, explicou o senador.

“Por exemplo, o combate à máfia das bets legais e a máfia dos combustíveis é suprimido sem nenhuma justificativa”, continuou.

“O financiamento da Polícia Federal e das ações integradas de segurança também é suprimido porque era baseado na cobrança de tributos em cima de bet. Então é a vitória das máfias em cima do interesse público”, afirmou Vieira.

O relator da CPI do Crime Organizado avalia que os deputados buscaram o discurso fácil e a solução “barata e simples” de combater o crime “na ponta” porque quem sofre é a população que está lá na periferia e o policial que está no confronto. O comandante e o político que lidera o processo está preservado”.

Ele citou o caso do Rio de Janeiro, onde houve uma “operação altamente letal na Penha, mas, em paralelo, você tinha a Assembleia Legislativa comandada por um cidadão que é identificado pela Polícia Federal como líder do braço político do Comando Vermelho”. Ele se refere ao ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), aliado do governador Cláudio Castro (PL).

“Eu não vou tratar isso cuidando da ponta, eu tenho que atacar o financiamento, a lavagem de dinheiro, a infiltração no poder público… Tudo isso o Senado fez, mas os deputados optaram por deixar de lado”, concluiu Vieira.

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