Selic nas alturas está conseguindo seu objetivo de paralisar a economia, afirma Iedi

Estagnação do consumo das famílias e um recuo dos investimentos travaram o PIB. (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)

O nível elevados dos juros, que segue em 15% a.a. desde meados de junho de 2025 é o ingrediente principal da desaceleração do PIB, aponta a indústria

A manutenção da Selic em patamares bastante elevados está conseguindo atingir seu objetivo de paralisar a economia, afirma o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) ao analisar o ressultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% em 2025.

“Os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram que a manutenção da Selic em patamares bastante elevados está conseguindo atingir seu objetivo. A economia brasileira ficou parada nos dois últimos trimestres do ano passado, registrando 0% em jul-set/25 e +0,1% em out-dez/25, devido ao declínio do investimento e estagnação do consumo das famílias. Com isso, o 2º semestre de 2025 foi o mais fraco desde a pandemia”, diz a entidade em nota..

“As atividades menos sensíveis a juros seguem apresentando certa resiliência. É o caso dos serviços, com alta de +0,8% no 4º trim/25 ante o 3º trim/25, já descontados os efeitos sazonais, a despeito de perdas nos seus ramos mais associados ao ritmo geral de atividade econômica (-0,3% no comércio e -1,4% em transportes). É também o caso da agropecuária, que registrou +0,5% na série com ajuste”.

Já a indústria, “não deixa dúvida sobre sua tendência de desaceleração”, destaca o Iedi.“No 4º trim/25, o PIB do setor como um todo teve sua primeira queda desde 2022. Registrou -0,7% frente ao trimestre anterior, puxada pelo recuo de -2,3% da construção e de -0,6% da indústria de transformação, que compensaram a expansão dos seus demais ramos, a exemplo do extrativo (+1,1%)”.

Para o Iedi, “o resultado de +1,8% do PIB total do país no 2º semestre de 2025, além de implicar razoável desaceleração em comparação com o desempenho da primeira metade do ano (+2,7%), foi o mais fraco desde o 2º sem/20, quando os efeitos econômicos da pandemia ainda estavam bastante presentes”.

O Iedi destaca que “a indústria de transformação perdeu, no segundo semestre (-1,3%), tudo o que tinha crescido no primeiro (+1,1%), o que já havia sido pouco se comparado com o resultado da segunda metade de 2024 (+4,8%)”.

• PIB Total: +3,9% no 2º sem/24; +2,7% no 1º sem/25 e +1,8% no 2º sem/25;

• Indústria de transformação: +4,8%; +1,1% e -1,3%, respectivamente;

• Construção: +5,5%; +1,6% e -0,5%;

• Comércio: +4,3%; +1,7% e +0,6%;

• Consumo das famílias: +4,9%; +2,0% e +0,7%;

• Formação bruta de capital fixo: +9,7%; +6,5% e -0,4%, respectivamente.

“A indústria da construção também voltou ao vermelho no 2º sem/25 (-0,5%), exercendo pressão negativa para o dinamismo da indústria total (de +1,7% em jan-jun/25 para +1,2% em jul-dez/25). Esta só não apontou declínio, devido à alta expressiva de +11,9% da indústria extrativa no segundo semestre”.

“Nos serviços, cuja desaceleração da primeira para a segunda metade de 2025 foi modesta (de +2,0% para +1,6%), o comércio foi quem mais regrediu”, assinala. Em jul-dez/25, sua taxa de crescimento de +0,6% foi 1/3 do que tinha registrado em jan-jun/25 (+1,7%).

“Estas trajetórias guardam relação com o enfraquecimento do consumo das famílias, que de +2% passou para apenas +0,7% de um semestre para outro, e da recente retração do investimento (-0,4%), como mencionado anteriormente. Na demanda interna, o consumo do governo (+2,7% em jul-dez/25) evitou uma inflexão mais intensa”, analisa.

De acordo com o Iedi, a única atividade a “manter bom ritmo de expansão, juntamente com a indústria extrativa, foi a agropecuária: +10,9% no 2º sem/25 e +12,2% no 1º sem/25”.

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