Investimentos da Petrobrás crescem 22,2% em 2025 totalizando R$ 112,9 bilhões

Trabalhadoras da Petrobrás na plataforma P66. (Foto: Petrobrás)

Os investimentos da Petrobrás em 2025 cresceram 22,2% sobre os de 2024 totalizando R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões). É um valor 9,7% acima do plano de investimentos PN 2025-29, dentro da faixa de variação das projeções divulgado para o ano. Os segmentos de Exploração e Produção representaram cerca de 84% do total de investimentos em 2025, contribuindo para o relevante crescimento da produção observada no ano.

Este patamar de Capex, (investimentos em ativos fixos de longo prazo) em 2025 decorre, principalmente, da evolução nas campanhas de poços com o cumprimento de marcos de construção dos FPSOs (navios-plataformas) próprios destinados à operação nos campos de Búzios, Atapu e Sépia, além do recorde de interligações de poços.

Destaca-se, ainda, o início da operação dos FPSOs afretados Almirante Tamandaré (Búzios 7) e Alexandre de Gusmão (Mero 4), bem como do FPSO próprio P-78 (Búzios 6). Essas três novas unidades de produção adicionaram 585 mil barris de óleo por dia de capacidade nominal de produção operada pela Petrobrás.

“O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos. Isso reflete nossa capacidade de entregar mais com menos recursos, otimizando projetos e antecipando operações que geram valor para nossos acionistas e para a sociedade. Nossos resultados não são apenas números: eles se traduzem em energia, geração de riqueza, empregos, impostos e retorno para a sociedade”, afrimou Magda Chambriard, presidente da Petrobrás, ao divulgar o balanço do ano.

Petrobrás/Reprodução

Por segmento, Exploração & Produção recebeu investimentos de US$ 17,0 bilhões, um crescimento de 22,3% sobre 2024. No Refino, transporte e Comercialização os investimentos foram de US$ 2,3 bilhões. Um crescimento de 27% em relação a 2024. Destacam-se os investimentos nos projetos de implantação da Refinaria Abreu e Lima e do Refino Boaventura. No segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono o investimento de 2025 foi de US$ 406 milhões, um recuo de 4,7% em relação ao ano anterior.

Os dados constam do Relatório de desempenho da Petrobrás, sobre resultados do quarto trimestre e do ano passado, divulgado na sexta-feira (6).

Na conferência de apresentação dos resultados Magda Chambriard realçou que 2025 foi um ano “sem precedentes” e a robutez da empresa. E abriu sua apresentação fazendo um desafio: “Quem apostar contra a Petrobrás, certamente vai perder. Tenho muito orgulho de dizer isso”.

Para Chambriard, não há dúvida de que o momento é de alta instabilidade geopolítica, se referindo à agressão dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Mas ela afirma que a preocupação é deixar a empresa brasileira preparada para qualquer cenário em relação ao preço do petróleo. “Se ele for US$ 85 por barril, nós temos que estar preparados, se for US$ 55, temos que estar igualmente preparados”, disse.

Sobre a política de preços, a presidente da estatal afirmou que a meta é evitar o repasse da volatilidade de preços do mercado internacional ao consumidor brasileiro. “Nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno. No ano passado, entregamos um ótimo resultado em relação a preços. Tenho recebido esta semana muitas perguntas em relação a isso. Vale a mesma coisa para quando cai e sobe. Continuamos importando e exportando o que precisamos”.

Otimista, a presidente declarou que “a Petrobrás está imbuída do propósito de fazer essa uma empresa cada vez maior, que cresce junto com o Brasil”. “Estamos construindo uma empresa diversificada, preparada para enfrentar a volatilidade do mercado de petróleo, tão instável quanto o que estamos vivendo hoje”, declarou.

A produção total de óleo e gás natural da Petrobrás alcançou 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). As exportações de petróleo registraram recorde anual de 765 mil barris por dia (mbpd).

Entre os fatores que mais contribuíram para o aumento da produção em 2025, “destacam-se o início da operação e o aumento da capacidade dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, a manutenção do topo de produção do FPSO Sepetiba, o ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, além da maior eficiência operacional na UN-BS e em Búzios”

A capacidade nominal de produção da companhia cresceu em 585 mil barris por dia, com a entrada das novas unidades.

Chambriard destacou que a estatal incorporou em 2025 um volume de 1,7 bilhão de barris. Segundo ela, com esse resultado, a companhia alcançou o melhor nível de reservas provadas nos últimos dez anos.

LUCRO E DIVIDENDOS

O lucro da Petrobrás em 2025 atingiu o montante de R$ 100,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), 200% maior do que em 2024, quando somou R$ 36,6 bilhões. Esse resultado foi turbinado pelo aumento de 11% da produção total de óleo e gás no período, mesmo diante de um cenário desfavorável, marcado pela queda de 14% no preço do Brent sobre o ano anterior.

A variação cambial também influenciou o lucro líquido em 2025 refletindo a valorização do real frente ao dólar. Outro fator de impacto nos resultados foi a redução em R$ 14,7 bilhões das despesas operacionais.

Sobre a distribuição de dividendos, a direção da Petrobrás prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre, diferente do que o ocorreu em anos anteriores com o pagamento de dividendos extraordinários, transferidos grande parte para acionistas no exterior e travando os investimentos da maior empresa estatal brasileira.

De acordo com a Petrobrás, “esta distribuição é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia”.

O Conselho de Administração da Petrobrás, segundo o relatório, “autorizou o encaminhamento à Assembleia Geral Ordinária (AGO) da proposta de distribuição de remuneração aos acionistas no montante de R$ 8,1 bilhões relativa ao quarto trimestre de 2025, conforme fórmula estabelecida na Política de Remuneração aos Acionistas da Companhia. Os valores serão pagos em maio e junho de 2026. Durante o ano de 2025, foram distribuídos R$ 45,2 bilhões em dividendos, sendo R$ 17,6 bilhões para a Grupo de Controle”. 

A dívida bruta encerrou o ano em US$ 69,8 bilhões, impactada principalmente pela adição de afretamentos que compõem a dívida por determinação de norma contábil.

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