Registros de estupro no Rio de Janeiro sobem 20% e chegam a 16 por dia em 2025

Criminosos que realizaram estupro coletivo contra uma jovem no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução

Dados do ISP mostram crescimento consistente desde 2020; capital fluminense tem alta de 21% na década, e especialistas alertam para subnotificação que pode mascarar dimensão real da violência

Os registros de estupro no estado do Rio de Janeiro aumentaram 20% entre 2015 e 2025, passando de 4.887 notificações para 5.867 casos no período, o que representa uma média de 16 crimes desse tipo por dia, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), autarquia ligada à Secretaria de Segurança Pública do estado, indicam crescimento consistente nas notificações de estupro no Rio de Janeiro ao longo da última década. Em 2015, foram contabilizados 4.887 registros. Em 2025, o número chegou a 5.867 ocorrências.

O volume representa uma média de aproximadamente 16 crimes por dia no estado.

A discussão sobre violência sexual voltou ao centro do debate público após a investigação e denúncia criminal de um estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Quatro suspeitos foram presos entre terça-feira (3) e quarta-feira (4). Eles respondem ao processo na Justiça, enquanto as defesas negam que tenha ocorrido crime.

Segundo a acusação, o caso teria ocorrido em janeiro deste ano. Apenas naquele mês, o estado registrou 493 ocorrências de estupro, sendo 158 delas na cidade do Rio de Janeiro.

Os dados de segurança pública apontam que o ano de 2025 representa o ponto mais alto de uma tendência de aumento que vem sendo observada desde 2020. No início da pandemia de Covid-19, houve uma redução nas notificações quando comparadas aos 12 meses anteriores. Após esse período, os registros voltaram a crescer.

Na capital fluminense, o levantamento mostra que ocorreram cerca de 1,9 mil casos de estupro ao longo de 2025. O número representa um aumento de 21% em relação às ocorrências registradas dez anos antes.

A Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou que houve redução nos registros de janeiro deste ano em comparação com o mesmo mês de 2025 e informou que mantém políticas voltadas à proteção de mulheres.

Em nota, a pasta declarou: “No âmbito preventivo e de proteção, a Polícia Militar mantém iniciativas específicas voltadas à segurança das mulheres, como a Patrulha Maria da Penha, que realiza o acompanhamento de vítimas com medidas protetivas, e o aplicativo Rede Mulher, ferramenta que facilita o acesso a apoio e permite o acionamento rápido da polícia em situações de risco”.

O governo estadual também mencionou operações voltadas ao combate de crimes sexuais. Entre elas está a Operação Caminhos Seguros, realizada entre abril e maio do ano passado, que levou à prisão de 61 criminosos em um único dia.

Outra iniciativa citada é o Serviço de Educação e Responsabilização do Homem (SerH). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o programa “atua na desconstrução de padrões violentos e na responsabilização de autores de violência doméstica no Presídio Juíza Patrícia Acioli.”

CENÁRIO NACIONAL

Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, em todo o país, foram registrados 83.338 estupros no ano passado. Desse total, 71% foram classificados como estupro de vulnerável.

Em números absolutos, o Rio de Janeiro aparece como o terceiro estado com maior número de ocorrências registradas em 2025, ficando atrás de São Paulo, com 15.730 casos, e do Paraná, com 6.854.

Já quando considerada a taxa por 100 mil habitantes, as cidades fluminenses apresentaram índice de 34,06. O patamar é próximo ao registrado em São Paulo, de 34,13, e menor do que os índices do Paraná, com 57,64, e do Mato Grosso do Sul, que apresentou taxa de 91,87.

SUBNOTIFICAÇÃO

Especialistas alertam que os números oficiais podem representar apenas parte da dimensão real da violência sexual no país. O crime de estupro está entre aqueles com maior nível de subnotificação, quando as vítimas não procuram serviços de assistência ou deixam de registrar a ocorrência na polícia.

Um estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2023 aponta que a quantidade real de casos pode ser até dez vezes maior do que os registros oficiais.

“O número estimado de casos de estupro no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto”, afirma o instituto.

A estimativa foi elaborada com base em pesquisas de vitimização, que utilizam questionários específicos para medir a prevalência de violência sexual e tentar retratar de forma mais fiel o problema.

Segundo o Ipea, apenas uma pequena parcela desses crimes chega às autoridades. “A conclusão é que, dos 822 mil casos por ano, apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia e 4,2% são identificados pelo sistema de saúde.”

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