“O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro”, diz resolução da Comissão Executiva Nacional do PT
A Comissão Executiva Nacional do PT afirmou em nota que o escândalo do Banco Master “é o retrato do modelo bolsonarista” para o Brasil e que Daniel Vorcaro “manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo”.
“O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades”, denunciou o partido.
“Diante de tantas evidências, cabe perguntar: por que o Banco Central, então sob a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não tomou as medidas necessárias para intervir e proteger o sistema financeiro e os recursos públicos?”, questiona.
“Soma-se a isso o fato de que o servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da autarquia e também nomeado durante o governo Bolsonaro, atuava na prática como um empregado-consultor do próprio dono do banco”, acrescentou.
A resolução da cúpula petista cita diversas evidências da ligação entre os criminosos do Banco Master e os bolsonaristas, como a doação de R$ 5 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado e comparsa de Vorcaro, para Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.
Cita também as vezes em que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um avião de Vorcaro para fazer campanha em 2022, além de mencionar os governadores bolsonaristas, como Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, que usou dinheiro público para tentar salvar o Banco Master.
“Esses elementos revelam que não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado que protege privilégios de poucos em detrimento do interesse nacional”, afirma a legenda.
O PT aponta que no governo Lula os órgãos de controle e investigação têm autonomia “para atuar no combate à corrupção”, o que gerou a investigação e intervenção sobre o Banco Master.
DOIS PROJETOS ANTAGÔNICOS
Na avaliação do PT, a disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro será também uma disputa “entre dois projetos profundamente distintos de nação” e “caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro”.
O projeto do presidente Lula “valoriza os trabalhadores e as empresas brasileiras, promove investimento e desenvolvimento, fortalece o mercado interno e busca a justiça tributária, diminuindo impostos para quem vive de salário e cobrando mais dos super ricos”.
O resultado tem sido crescimento com distribuição de renda, a menor inflação de um mandato presidencial desde a redemocratização e a valorização do salário mínimo, aponta o PT.
Nesse sentido, o Partido dos Trabalhadores afirma que a redução dos juros, hoje mantidos em 15% pelo Banco Central autônomo, cria “condições para um desenvolvimento mais justo e sustentável”.
Defendeu ainda o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais como “parte essencial de um novo projeto civilizatório”.
Já sobre o projeto de Flávio Bolsonaro, o PT lembrou o governo de Jair: “o país assistiu ao retorno da fome, à precarização do trabalho e a cenas dramáticas como as filas para compra de osso”, devido a um “projeto neoliberal que governou para o mercado financeiro e trata a economia como instrumento para proteger privilégios e os interesses de banqueiros e rentistas”.
SOBERANIA E SUBMISSÃO
O PT aponta no documento que “é fundamental fortalecer a capacidade do Estado brasileiro para sustentar nossa soberania. Isso implica valorizar a Defesa Nacional e desenvolver a inteligência estratégica, especialmente em um cenário de intensas disputas geopolíticas”.
“Diante da cobiça internacional sobre nossas riquezas, como o petróleo e a biodiversidade, o Brasil precisa ampliar sua capacidade de antecipação, proteção e tomada de decisão autônoma. Proteger esses ativos é afirmar a soberania nacional como base inegociável de um projeto de desenvolvimento independente e comprometido com o povo brasileiro”, declarou.
Essa posição contrasta com a defesa feita pelos bolsonaristas das sanções e ameaças dos Estados Unidos contra o Brasil. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, está morando nos EUA e trabalhando com o governo Trump para atacar o Brasil.
“Setores da extrema direita brasileira chegaram ao ponto de defender medidas externas que prejudicariam a economia nacional, celebrando pressões internacionais e sanções contra o próprio país, numa postura de submissão a interesses estrangeiros após não aceitarem o resultado das eleições”, lembra a nota.











