Irã confirma assassinato de Ali Larijani em ataque terrorista israelense

Israel e EUA assassinaram o filósofo Ali Larijani, um dos mais preparados líderes formados pela Revolução Iraniana (AFP)

O Irã confirmou nesta terça-feira (17) a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e um dos mais destacados líderes da revolução iraniana. Ele foi assassinado por um ataque noturno terrorista de Israel, em que também foi morto seu filho, Morteza, um assessor e vários guarda-costas.

“O mártir Ali Larijani, um dos funcionários mais proeminentes e prudentes do país, foi alvo de ataques aéreos americanos e israelenses na casa de sua filha, na região de Pardis, juntamente com seu filho, um de seus assessores e um grupo de guarda-costas, e foi martirizado”, disse a agência Fars, em uma nota de pesar.

O assassinato de Larijani foi também reconhecido pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, que ele presidia, em uma declaração em que foi descrito como um “servo vitalício” da República Islâmica, acrescentando que ele “respondeu ao chamado da verdade” e alcançou “o nobre grau de martírio.”

O comunicado afirmava ainda que sua morte “fortaleceria a determinação nacional”, descrevendo-a como “uma contribuição sagrada para o caminho da verdade.”

A última vez que Larijani havia sido visto em público fora na sexta-feira (13) na marcha em apoio à libertação da Palestina, o Dia de Al Quds (Jerusalém), que é feriado nacional no Irã desde a revolução de 1979. Ao lado do presidente Masoud Pereshkian e do chanceler Abbas Araghchi, junto com a multidão, apesar dos bombardeios tão perto que colunas de fumaça podiam ser vistas ao fundo e até uma mulher foi morta.

RESPEITADO NEGOCIADOR

Uma das mais conhecidas faces da revolução iraniana, Larijani foi um dos principais negociadores do país, ex-presidente do parlamento iraniano por três mandatos, ex-conselheiro de Segurança Nacional, ex-ministro da Cultura e filósofo.

Era também visto como um homem calmo e pragmático, tendo cumprido um importante papel para o acordo JCPOA, assinado pelo então presidente Obama e por Teerã, que determinava o mais rígido sistema de inspeção nuclear já feito pela Agência Internacional de Energia Atômica em troca da suspensão das sanções, depois rasgado por Trump em seu primeiro mandato, após ser cumprido fielmente pelo Irã por três anos.

Apenas 24 horas após o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de vários altos chefes militares, em ataque traiçoeiro do eixo EUA-Israel ao escritório dele, em meio a negociações diplomáticas, coube a Larijani ir à tevê denunciar que “a América e o regime sionista incendiaram o coração da nação iraniana” e se comprometendo a fazer “com que os criminosos sionistas e os desavergonhados americanos se arrependam de suas ações”.

“LIÇÃO INESQUECÍVEL AOS OPRESSORES INFERNAIS”

“Os bravos soldados e a grande nação do Irã vão dar uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, acrescentou Larijani.

A seguir, ele, com mais dois outros líderes iranianos, constituiu o conselho de transição encarregado de organizar a retaliação da nação persa aos imperialistas e sionistas, prestar honras ao aiatolá e preparar a escolha do substituto.

Larijani ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica no início dos anos 1980. Também tinha formação acadêmica secular e obteve o diploma de bacharel em Matemática e Ciência da Computação pela Sharif University of Technology em 1979. Posteriormente, concluiu mestrado e doutorado em filosofia ocidental pela Universidade de Teerã, escrevendo sua tese sobre Immanuel Kant.

Concorreu à presidência em 2005 como candidato conservador, mas não chegou ao segundo turno. No mesmo ano, foi nomeado pela primeira vez secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador nuclear do país. Vinte anos depois, havia sido reconduzido em agosto ao cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional pelo presidente Masoud Pezeshkian.

Em entrevista à Al Jazeera antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, Larijani descreveu como “positiva” a posição de seu país sobre as negociações, observando que os EUA teriam percebido que a opção militar não era viável. “Recorrer à negociação é um caminho racional”, disse ele então.

“OS VALENTES FILHOS DE KHOMEINI E KHAMENEI ESTÃO PRONTOS”,

Após o assassinato do líder supremo, Larinjani disse ser “delirante” pensar que “matar líderes desestabilizaria o Irã”. Também partiu dele a declaração de que “não vamos negociar”, após relatos do próprio Trump de que teria sido procurado, pelos iranianos, para pedir arrego.

“Os valentes filhos do Imam Khomeini e do Imam Khamenei estão esperando por vocês, prontos para envergonhar esses oficiais americanos corruptos matando e capturando milhares”, alertou ele, diante da pose de Trump de que “não descartava” uma invasão por terra.

Seu último pronunciamento foi dirigido aos países islâmicos que se submetiam a serem instrumentos do eixo EUA-Israel, após reiterar seguidamente que todos os lugares de onde os imperialistas e sionistas atacassem o Irã seriam “alvos legítimos”.

Em uma carta publicada em seu nome X na véspera, Larijani repreendeu países muçulmanos pelo silêncio deles sobre a guerra. “Se você não responder ao grito de um muçulmano, você não é muçulmano. Que tipo de Islã é esse?”, ele escreveu.

Ele chamou os líderes do Golfo a reconsiderarem suas escolhas estratégicas, advertindo que “os EUA não tem qualquer lealdade para com vocês e Israel é o vosso inimigo”, acrescentando que o Irã “é sincero” e “não busca dominar vocês”.

Na noite de seu assassinato, os europeus recusaram a convocação de Trump para enviar navios para escoltar petroleiros, na maior manifestação de isolamento do ditador norte-americano até agora, assinalando não ser “a guerra deles”, não foram consultados e instando, ao invés,  a negociações para a reabertura da hidrovia pela qual passam 20% do petróleo e gás comercializado no mundo.

E o governo Trump sofreu sua primeira baixa após sua guerra de escolha: a renúncia do diretor nacional de contraterrorismo, Joseph Kent, denunciando que não havia “qualquer ameaça iraniana”.

Também nesta terça-feira o porta-aviões Gerald Ford foi desviado para um porto grego, para poder sofrer reparos de emergência, após o incêndio na lavanderia que força 600 marujos a dormirem no chão e que, segundo alguns, teria sido provocado pelos próprios marines. O incêndio durou “horas”, segundo o NYT.

Inchado de arrogância, o genocida-mor Netanyahu se gabou, após mais esse assassinato, que seu enclave de apartheid e fascismo na Ásia Ocidental “agora é uma grande potência”, enquanto continuam chovendo mísseis hipersônicos e drones iranianos sobre Tel Aviv, Haifa, Beer Sheva e a região central de Israel.

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