Decisão do Copom é incapaz de reverter prejuízos à economia, afirma CNI

Ricardo Alban, presidente da CNI. (Foto: Iano Andrade e Gilberto Sousa/CNI)

Selic a 14,75% “não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento – sintomas da política monetária excessivamente restritiva”, denuncia a entidade

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta quarta-feira (18), de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto, de 15% para 14,75%, “é incapaz de reverter prejuízos à economia”, afirma a Confederação Nacional da Indústria (CNI). “A medida ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento – sintomas da política monetária excessivamente restritiva”.

“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

Alban defende cortes mais robustos na taxa Selic já na próxima reunião no fim de abril.

“Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, ressaltou.

A CNI destaca que país está entre os países com o maior juro real (descontada a inflação) do mundo e afirma que os juros elevados travam a economia.

“A Selic está em terreno contracionista há 50 meses, produzindo efeitos negativos sobre o crescimento econômico. Não à toa, o PIB cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, abaixo dos 3,4% registrados em 2024 e o resultado mais fraco desde a recessão provocada pela pandemia em 2020. O consumo das famílias perdeu fôlego, passando de expansão de 5,1% em 2024 para apenas 1,3% em 2025. Já os investimentos desaceleraram de 6,9% para 2,9% no mesmo período”.

A entidade também ressalta os efeitos danosos dos juros altos sobre as famílias e as empresas.

“A política monetária em curso também intensificou o endividamento das famílias, corroendo os orçamentos domésticos e desestimulando o consumo. A parcela da renda anual comprometida com dívidas bancárias subiu de 47,7%, em dezembro de 2023, para 49,7%, em dezembro de 2025, segundo o Banco Central. A inadimplência de pessoas físicas saltou de 3,7% em janeiro de 2024 para 5,2% em janeiro de 2026”.

“Além disso, os juros elevados têm pressionado o caixa das empresas, impulsionando um volume recorde de pedidos de recuperação extrajudicial, à medida que as companhias tentam reestruturar dívidas, tornadas insustentáveis pelo custo do crédito. Os casos mais recentes, envolvendo importantes corporações brasileiras, indicam negociações de dívidas superiores a R$ 100 bilhões, um recorde histórico”.

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