A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga operações financeiras que envolvem o Banco Master identificou novo contrato milionário entre escritório de advocacia associado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e fundo de investimento ligado ao grupo Reag.
A descoberta reforça padrão já observado pelos parlamentares: a conexão do governador com o esquema privado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo integrantes da CPI, o contrato, firmado em valores elevados e com cláusulas consideradas atípicas, levanta dúvidas sobre possível conflito de interesses e eventual favorecimento indireto.
“Não se trata de um episódio isolado. Há uma engrenagem em funcionamento que precisa ser desvelada”, afirmou um dos membros da comissão.
ARQUITETURA FINANCEIRA SOB INVESTIGAÇÃO
O fundo ligado à Reag aparece em outras frentes da investigação como elo relevante em operações financeiras suspeitas, muitas dessas associadas ao Banco Master.
Relatórios preliminares apontam circulação de recursos entre empresas, fundos e prestadores de serviço que, na avaliação de técnicos da CPI, podem configurar tentativa de blindagem patrimonial ou ocultação da origem de valores.
A conexão com o escritório de advocacia ligado ao chefe do Executivo do DF eleva o grau de gravidade política do caso. Para especialistas ouvidos pela comissão, a existência de contratos dessa natureza exige transparência absoluta, sobretudo quando envolve figuras com poder decisório sobre políticas públicas e regulação econômica.
“O mínimo que se espera é a completa separação entre o interesse público e as atividades privadas. Quando essa linha se torna difusa, abre-se espaço para distorções graves”, destacou consultor legislativo ouvido pela CPI.
PRESSÃO E DESGASTE POLÍTICO
A revelação do novo contrato intensificou a pressão sobre o governo do Distrito Federal e alimentou críticas de parlamentares da oposição, que já articulam a convocação de novos depoentes. Há também movimentações para ampliar o escopo da investigação, incluindo requisições adicionais de documentos bancários e fiscais.
Nos bastidores, a avaliação é de que o caso pode produzir desgaste político significativo para Ibaneis Rocha, especialmente em contexto de crescente escrutínio sobre relações entre o setor público e o sistema financeiro.
Um deputado distrital afirmou que “o que está emergindo é um padrão preocupante de interseção entre poder político e estruturas financeiras opacas, algo incompatível com a exigência republicana de transparência”.
DEFESA E CONTROVÉRSIA
Procurada, a defesa ligada ao escritório se esquiva, nega irregularidade e alega que os contratos firmados seguem parâmetros legais e de mercado. Por meio de nota, afirma que “todas as atividades exercidas são lícitas, devidamente registradas e desvinculadas de qualquer função pública”.
Apesar disso, integrantes da CPI consideram que a legalidade formal não afasta a necessidade de apuração mais profunda sobre a finalidade e os efeitos concretos dessas relações contratuais.
SISTEMA EM XEQUE
Mais do que caso isolado, a investigação expõe fragilidades estruturais na fiscalização de fluxos financeiros que orbitam o poder público.
A CPI aponta que a sobreposição entre interesses privados e funções institucionais pode comprometer a integridade das decisões governamentais.
Para senador que acompanha o caso, “não basta que seja legal no papel. É preciso ser legítimo à luz do interesse público. E, neste caso, há sinais claros de que essa fronteira pode ter sido ultrapassada”.
A apuração segue em curso, com a promessa de novos desdobramentos nas próximas semanas. E com potencial para ampliar crise que já se desenha como uma das mais sensíveis do cenário político do Distrito Federal.











