Ameaça se deu pouco antes de chegar para dar uma palestra para estudantes, nesta quarta-feira (18), no Centro Universitário de Brasília (UniCeub)
A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, denunciou ter sido alvo de ameaça de atentado a bomba, em mais um episódio que evidencia o descalabro fascista no Brasil.
As informações são do portal Metrópoles e da Agência Brasil.
O relato da ministra aconteceu durante uma palestra no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), na capital federal, enquanto abordava temas relacionados aos direitos das mulheres. O evento, realizado em parceria com as embaixadas do Canadá e da Noruega, reuniu estudantes e interessados no tema.
Segundo a ministra, a ameaça se deu pouco antes de chegar ao local do evento. Cármen Lúcia, ao comentar o episódio, declarou que “não morro de jeito nenhum”.
“Faço um parêntese: agora de manhã, vindo para cá, me comunicaram que mandaram uma bomba para me matar. No meio de estudantes, todos viram meus advogados em dois minutos — pior para quem mandar. Melhor não mandar. Nem sei se é fato, sei que está sendo noticiado. Só sei que estão me ligando. Sei que estou vivíssima, cada vez mais”, declarou.
No evento, segundo a Agência Brasil, a ministra também citou o aumento da violência de gênero no Brasil e disse que o assassinato de mulheres precisa acabar.
JUDICIÁRIO SOB PRESSÃO CRESCENTE
O episódio não é isolado. Nos últimos anos, ministros do STF vêm sendo alvo recorrente de ameaças, campanhas de intimidação e ataques verbais. Especialmente em contextos de decisões sensíveis que envolvem temas políticos, eleitorais e institucionais.
A revelação feita por Cármen Lúcia insere-se nesse ambiente de hostilidade crescente, em que a divergência política extrapola o campo democrático e passa a flertar com a violência.
Nos bastidores, integrantes do Judiciário avaliam que há escalada preocupante: “As ameaças deixaram de ser difusas e passaram a ter contornos concretos, exigindo resposta institucional firme.”
SEGURANÇA INSTITUCIONAL EM XEQUE
A ameaça de atentado exige uma resposta firme contra os terroristas e os agressores da democracia, em defesa das instituições.
O STF, como guardião da Constituição, ocupa posição central no sistema democrático. Ataques ou ameaças contra seus membros não atingem apenas indivíduos. Atingem a própria a Nação brasileira.
RADICALIZAÇÃO E AMBIENTE POLÍTICO
O caso ocorre em contexto de polarização intensa, no qual discursos de deslegitimação das instituições feitas pela extrema-direita têm ganhado espaço em setores da sociedade.
Para analistas, há conexão direta entre esse ambiente e o aumento de ameaças: “Quando autoridades passam a ser tratadas como inimigas, abre-se espaço para que indivíduos avancem da retórica para a ação.”
A preocupação não se limita ao STF. Parlamentares, governadores e outras figuras públicas também têm relatado episódios semelhantes, indicando fenômeno mais amplo de deterioração do debate público.
Ao relatar a ameaça, Cármen Lúcia não apenas expõe grave episódio. Ela ilumina problema maior: a crescente naturalização de ataques contra instituições que deveriam ser protegidas como pilares da democracia.











