“Redução de 0,25 ponto percentual é insuficiente para o que o Brasil precisa”, afirmam Centrais

Foto: Jaélcio Santana

O corte na taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto porcentual, passando de 15% para 14,75% ao ano, anunciado pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) na noite de quarta-feira (18), foi criticado pelas centrais sindicais.

Apesar do corte, o primeiro em dois anos, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juro real entre as principais economias do mundo. Para as centrais, os juros nesse patamar são um entrave ao desenvolvimento do país, e impactam negativamente o crescimento econômico e a geração de empregos.

Segundo o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, com o corte de apenas 0,25%, o BC “acertou o remédio, mas errou a dose”. “A redução é insuficiente”, disse o sindicalista, ressaltando que “o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de reduzir drasticamente a Taxa Selic, como importante passo rumo ao fortalecimento e crescimento da economia”.

Em nota, a Força afirma que “juros exorbitantes inibem o consumo, a produção e, consequentemente, a geração de postos de trabalho”.

“Juros nas alturas são uma forma de concentrar cada vez mais renda nas mãos de poucos. O país precisa investir no fomento da produção, na geração de empregos e na distribuição de renda para retomar o caminho do seu crescimento econômico”, conclama Miguel Torres.

A CUT também avaliou que a redução “é insuficiente diante da realidade econômica do país”. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), “mesmo com o corte, a taxa segue em nível elevado, mantendo o crédito caro e agravando o endividamento das famílias”.

A CTB também protestou contra o corte de apenas 0,25, que, segundo a entidade, “continua penalizando os trabalhadores e ampliando desigualdades”. “Quando o crédito encarece, o consumo cai e os mais pobres sentem primeiro”, protesta a CTB.

Conforme o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, “o Banco Central segue adotando uma política que limita o crescimento, dificulta o crédito e penaliza trabalhadores”, disse. Previtale também salientou que quem se beneficia com juros elevados “é o sistema financeiro, que mantém seus lucros, enquanto a população enfrenta dificuldades para pagar suas dívidas. É preciso mudar essa lógica e priorizar o desenvolvimento econômico”, ressaltou.

A UGT também considerou que, “diante do atual cenário econômico, o corte foi tímido e insuficiente”. A central alerta que “a taxa ainda é restrita”, e reforça que “há espaço para uma redução mais significativa dos juros”.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *