Em mais uma ação contrária aos interesses da população e para favorecer empresas estrangeiras, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um aumento médio de 8% nas contas de luz dos brasileiros em 2026. O aumento supera a inflação esperada para o período, medida pelo IPCA (3,9%) e pelo IGP-M (3,1%).
A alta das contas liberada pela Aneel também é superior ao reajuste do salário minímo em 2026, que foi de 6,79%. Na prática, como o custo da energia subiu acima do índice de correção salarial, o ganho real do trabalhador é parcialmente absorvido pelo aumento das despesas fixas domésticas.
O aumento não é linear, podendo haver diferenças significativas entre as distribuidoras de energia. No Rio de Janeiro, por exemplo, o aumento ultrapassa 16%. No início do ano, consumidores atendidos pela Roraima Energia tiveram aumento médio superior a 24%.
O principal fator de pressão é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo cobrado na conta de luz para financiar políticas públicas do setor. A proposta para 2026 considera orçamento de R$ 52,7 bilhões, sendo R$ 47,8 bilhões pagos diretamente pelos consumidores. O valor representa alta de 15,4% em relação a 2025 e pode gerar impacto de até 4,6% nas tarifas.
Além da CDE, outros componentes contribuem para o aumento. Os custos de energia tendem a subir com a expectativa de condições hidrológicas menos favoráveis, o que eleva o uso de fontes mais caras.
Outros fatores regulatórios também impactam a tarifa. A agência elevou a taxa de remuneração do setor (WACC) para cerca de 8%, o que aumenta o retorno das empresas e pressiona os preços. Ao mesmo tempo, mudanças como a inclusão de consumidores livres no rateio das usinas nucleares e a modernização da tarifa branca podem alterar a forma de cobrança no futuro.
Também há pressão de encargos setoriais e do aumento nas receitas das transmissoras. Por outro lado, fatores como a devolução de créditos de PIS/Cofins e a estabilidade da tarifa de Itaipu ajudam a conter parte da alta.
A projeção considera ainda a interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional, concluída em 2026. A medida eleva custos no curto prazo, mas tende a reduzir despesas no médio prazo ao substituir geração térmica mais cara por energia mais barata do sistema nacional.
Mas para a Aneel, apesar da previsão de elevação tarifária, os recursos de Uso do Bem Público (UBP) serão utilizados para modicidade tarifária de regiões abrangidas pela Sudam/Sudene. Os consumidores cativos de 21 distribuidoras terão descontos nas suas faturas devido à destinação de recursos a serem recebidos pela repactuação da obrigação de pagamentos de centrais geradoras a título de UBP, conforme Leis 15.235/25 e 15.269/25.
No cenário de adesão de todos os geradores elegíveis, cerca de R$ 7,9 bilhões representarão uma redução média na tarifa de 10,6% para os consumidores residenciais que estão nas áreas da Sudam/Sudene. Como resultado, pode-se ter uma redução no efeito médio Brasil de até 2,9%. A regra de rateio entre as 21 distribuidoras encontra-se em fase final de análise pela Aneel.











