Japoneses repudiam plano da premiê de revogar proibição constitucional de fazer guerra

Em defesa da paz nas ruas de Tóquio (IADL)

Manifestantes foram às ruas em Tóquio contra a agenda da primeira-ministra Sanae Takaichi de revogação da proibição constitucional de desencadear guerra, adotada após a derrota na II Guerra Mundial, com a instalação de mísseis que ameaçam outros países da Ásia e provocação contra a China, tudo sob o pretexto de Taiwan.

Mais de 10.000 manifestantes se reuniram em frente ao ‘Segundo Edifício de Escritórios dos Membros da Câmara dos Representantes’, um dos edifícios parlamentares do Japão, localizado em frente ao prédio da ‘Dieta Nacional do Japão’, órgão legislativo do governo japonês, na noite de quinta-feira (19). A manifestação aconteceu enquanto Takaichi se reunia com Trump na Casa Branca.

Com cartazes “Não à Guerra” e “Abaixo a Revisão Constitucional”, os japoneses estão se opondo à postura belicista de Takaichi e fizeram um alerta contra essa política que pode resultar no envolvimento do Japão em conflitos futuros.

Políticos de extrema direita do Japão querem alterar o Artigo 9º da Constituição de 1947, que afirma que o povo japonês renuncia à guerra e ao uso da força como forma de resolver disputas internacionais. Takaichi recentemente fez declarações, alarmantes, pela revisão constitucional e é notória por suas visitas ao Santuário Yasukuni, onde estão enterrados os criminosos de guerra da II Guerra Mundial.

O artigo existe porque foi imposto após a capitulação e busca prevenir a repetição dos bárbaros crimes de guerra cometidos pelo Japão imperial, que só na China provocaram a morte de 30 milhões de pessoas, incluindo o famijerado massacre de Nanquim, os experimentos contra seres humanos da Divisão 731, a escravidão sexual de dezenas de milhares de mulheres e o trabalho forçado em massa.

“Tem desempenhado um papel importante em manter o Japão fora da guerra”, disse um dos manifestantes, Natsuki Mitomi sobre o Artigo 9º da Constituição. “Permanecerá essencial para o Japão no futuro, e não podemos permitir que seja retirado.”

Outra preocupação dos japoneses foi o transporte de mísseis e outros equipamentos militares, sem explicação prévia, feito pelo Ministério da Defesa do Japão, do míssil superfície-navio Tipo 12 (com alcance de 1.000 km) para uma base da Força de Autodefesa Terrestre na Prefeitura de Kumamoto.

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