O Irã divulgou um vídeo neste domingo (22) mostrando um caça F-15 norte-americano sendo interceptado por um míssil lançado pelo sistema de defesa antiaérea das forças armadas iranianas quando sobrevoava a costa sul do Irã, perto da Ilha de Ormuz.
Na véspera o Irã abateu um caça F-16 israelense. “Um caça inimigo hostil F-16 pertencente ao regime sionista foi atingido às 3:45 da manhã no centro do Irã”, comunicou a Guarda Revolucionária Islâmica.
Na quinta-feira, a defesa antiaérea iraniana abateu um F-35, considerado o mais moderno e mais caro caça do arsenal norte-americano, de última geração, e alardeado como quase invisível ao radar. Segundo a emissora pública norte-americana (NPR), o piloto ficou ferido e conseguiu fazer um pouso de emergência.
De acordo com o Irã, sua defesa antiaérea já destruiu um F-35, quatro F-15, um F-16, seis aviões-tanque de reabastecimento KC-135 e 125 drones, inclusive pelo menos 10 Reaper. A derrubada do F-35 “pela primeira vez no mundo” foi saudada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, como “o momento em que uma ordem inteira desmoronou”.
Também no sábado, o Irã lançou dois mísseis balísticos de longo alcance contra a base aérea conjunta Reino Unido-EUA, Diego Garcia, no meio do Oceano Índico, a 4.000 km de distância no Oceano Índico, de onde partem bombardeiros para a agressão ao Irã. A retaliação revela, ainda, que a capacidade de defesa iraniana é ainda maior do que Washington começa a admitir.
“PODEM ESPERAR MAIS SURPRESAS”
Na véspera, o comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, a mais alta unidade de comando operacional do Irã, major-general Ali Abdollahi, havia declarado que “vocês podem esperar mais surpresas”, ao comentar a derrubada do F-35.
Segundo o Pentágono e certa parte da mídia, não foram os iranianos que derrubaram, foram os próprios norte-americanos e seus aliados que se atrapalharam, como no Kuwait, abatendo por “fogo amigo” 3 F-15 e, no caso dos KC-135, um “choque” entre duas aeronaves. Um comentarista ironizou: “nunca se viu tanta tentativa de suicídio no ar”.
Segundo a Marinha dos EUA, não foi o castigo iraniano contra o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford que fez com que tivesse que sair de fininho direto para a ilha de Creta na Grécia. Foi, alegaram, um “incêndio na lavanderia” que durou 30 horas e deixou 600 marujos sem cama e 200 na enfermaria. O USS Abraham Lincoln, conhecido por ser escorraçado do Mar Vermelho pelos revolucionários iemenitas, também precisou navegar para 1000 km de distância, antes que algum míssil ou drone provocasse outro acidente a bordo.
Sob a saraivada incessante de mísseis – inclusive hipersônicos – da resposta iraniana a Israel, também a fama do Domo de Ferro se esboroou, a ponto de um líder iraniano zombar o pomposo nome era até “ironia”.
TENTATIVA DE DECAPITAÇÃO FRACASSA
O Irã vem mantendo sua resistência altiva e efetiva à agressão não provocada dos EUA e Israel contra o Irã, em meio a negociações entre Washington e Teerã em Genebra, em violação completa da Carta da ONU e da jurisprudência de Nuremberg, e que covardemente assassinou em seu escritório o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e altos mandos militares, possivelmente quando estavam reunidos para avaliar os resultados das negociações.
Depois de três semanas, tornou-se evidente que fracassou a blitzkrieg americano-israelense para decapitação da liderança do Irã e imposição de um lacaio que entregasse de volta aos americanos o petróleo que a revolução iraniana nacionalizou.
Apesar dos assassinatos em série pelos ataques terroristas americano-israelenses de líderes iranianos, inclusive do principal negociador iraniano nas últimas décadas, Ali Larijani, mísseis e drones iranianos seguem chovendo contra as bases norte-americanas e contra Israel, o canal de Ormuz está fechado para os EUA e Israel, e o insano ataque sionista-imperialista ao maior campo de gás do mundo, South Pars, no Irã, foi respondido pela represália às refinarias e centros de produção ligados aos EUA.
A agressão de Trump-Netanyahu torna o mundo inteiro refém da recessão e inflação, sob os cortes na produção e transporte impostos por sua guerra de escolha, que fazem disparar o preço do petróleo, do gás e dos fertilizantes. A provocação contra South Pars já resultou na destruição – que levará anos para ser recomposta – da capacidade industrial de fornecimento de GNL ao mundo.
TRUMP SE ISOLA
Agredir o Irã isolou Trump no mundo inteiro, que depois de cantar vitória no primeiro dia, precisou gritar por ajuda no Estreito de Ormuz na terceira semana, sem conseguir. É a primeira guerra em muito tempo nos EUA em que a oposição a iniciar a guerra é maior do que o apoio à agressão. Até a base MAGA rachou.
O próprio chefe antiterrorista dos EUA, Joseph Kent, que renunciou ao cargo nesta semana, desmentiu o pretexto de Trump para embarcar na trilha genocida de Netanyahu: “não havia qualquer ameaça aos EUA”.
No dia seguinte, em relatório entregue ao Senado, a diretora de Inteligência do governo Trump, Tulsi Gabbard, registrou que depois do ataque de junho do ano passado, o Irã não fez nada para retomar o programa nuclear, tendo “selado os locais com cimento”.
Segundo Trump, por sua rede Truth Social, “Os EUA são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo; portanto, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”. Resta ver se os eleitores, no pleito intermediário de novembro, que define o controle sobre o Congresso norte-americano, chegarão à mesma conclusão, com o preço da gasolina no varejo nos EUA chegando a US$ 4 por galão, e o preço do diesel já tendo ultrapassado US$ 5.











