Disse que vai suspender ataques a instalações energéticas do Irã por cinco dias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou pela sua rede social a suspensão por cinco dias dos ataques à infraestrutura energética do Irã, menos de 24 horas após ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz, alegando “conversas produtivas” que Teerã já negou terem ocorrido, em meio a relatos sobre chamadas desde os países do Golfo contra tal insanidade, alertas da Agência Internacional de Energia aconselhando a “carona e home office” para atenuar a falta de petróleo e gás, o NYT advertindo que o estrago poderia durar “meses e até anos”, além das retaliações iranianas, desde o contundente troco ao ataque ao campo de gás de South Pars até o castigo às duas cidades nas imediações das instalações nucleares israelenses no Negev.
Também os europeus seguem se negando a se alistarem na guerra de Trump e Netanyahu. A guerra de agressão do eixo EUA-Israel já entra pela quarta semana. No sentido contrário à postagem de Trump, o governo Netanyahu asseverou que a guerra continuará “por meses”
O recuo e isolamento de Trump foram notados pelo Irã, que afirmou não ter havido quaisquer negociações. Como registrou a tevê estatal iraniana, “presidente dos EUA recua após firme advertência do Irã”.
No domingo, em resposta ao ultimato, Teerã havia anunciado que um ataque às suas instalações de energia seriam seguidas pelo fechamento completo do Estreito de Ormuz e pela destruição irreversível das instalações de energia que abastecem bases americanas, das instalações econômicas, industriais e energéticas ligadas aos interesses dos EUA e das usinas de dessalinização.
Como anunciou a Guarda Revolucionária Islâmica: “Vocês atacaram nossos hospitais. Nós não respondemos. Vocês atacaram nossos centros de atendimento. Nós não respondemos. Vocês atacaram nossas escolas. Nós não respondemos. Mas se vocês atacarem a cadeia de fornecimento de eletricidade, nós atacaremos a cadeia de fornecimento de eletricidade de vocês”.
“Estamos determinados a responder a qualquer ameaça no mesmo nível que crie um equilíbrio de dissuasão, e assim o faremos.”
O Irã também atribuiu a nova postagem ao esforço de Trump para conter uma desabada em Wall Street, praticamente “encomendada” por seu ultimato de domingo, e mais uma alta no preço do petróleo e gás. Desde o início da guerra não provocada, o preço do barril de petróleo já aumentou mais de 50% e chegou até a US$ 119 e a situação do fornecimento de gás é crítica, com 17% da capacidade de exportação do Qatar tendo sido destruída na semana passada.
Em sua postagem, Trump declarou: “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o país do Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”.
“Com base no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu.
Em paralelo ao recuo, internamente despachou suas SS anti-imigração para os aeroportos dos EUA, criando artificialmente outro foco de atenção interna.
Em Israel, o grande número de feridos em Arad e Dimona expuseram a que ponto se agravou o desmanche do Domo de Ferro e a vulnerabilidade das instalações nucleares de Israel, ao mesmo tempo que retaliou o ataque israelense à usina nuclear iraniana de Natanz.
O saldo da guerra também foi pesado esta semana para Trump, desde o abate pela primeira vez de um F-35 até o estranho “incêndio da lavanderia” que tirou o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo, do campo de batalha, direto para o cais em Creta.
E a AIE alerta que o mundo vive a pior crise do setor de energia em décadas. O diretor da organização, Fatih Birol, disse que “atualmente, estamos perdendo 11 milhões de barris por dia, mais do que nos dois grandes choques do petróleo combinados” na década de 1970.
“A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito séria hoje, e espero sinceramente que o problema seja resolvido em breve”, conclamou, apontando que “nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se continuarmos neste caminho.”











