Socialistas e comunistas elegem Grégoire prefeito de Paris

O deputado socialista Emmanuel Grégoire foi eleito prefeito de Paris, derrotando a direitista ex-ministra Rachida Dati, enquanto o Reunião Nacional (RN), partido de extrema-direita e anti-imigração de Marine Le Pen, não conseguiu conquistar cidades-chave no segundo turno das eleições municipais francesas deste domingo (22).

“Aos que temem os tempos vindouros, eu digo: não tenham medo (…) Paris será o coração da resistência a essa união de direita, que busca nos roubar a coisa mais preciosa e frágil que temos: a simples alegria de vivermos juntos”, afirmou o novo prefeito.

Grégoire, à frente de uma aliança de socialistas, ambientalistas e comunistas, obteve 53,1% dos votos, segundo estimativa da Ipsos BVA Cesi. Outras duas projeções confirmam a mesma tendência.

“Minha história é a de um jovem que sonhou com Paris (…) e que quer que esta cidade continue a inspirar sonhos”, confessou Grégoire, político que, aos 48 anos, sucederá à prefeita socialista Anne Hidalgo.

 “Estou pensando nas pessoas mais frágeis, aquelas que dormirão nas ruas esta noite. Estou pensando nas crianças que estão sofrendo… em todos os mais vulneráveis ​​que precisam de ajuda”, disse, afirmando que tinha “uma imensa responsabilidade” para com os parisienses.

A vitória da aliança progressista representou uma vitória clara contra Rachida Dati, que fez parte do governo de Emmanuel Macron e Nicolas Sarkozy e buscava conquistar a capital francesa para a direita após 25 anos de governos de esquerda.

Durante a campanha, Grégoire alertou que Dati transformaria a capital em “um laboratório trumpista da aliança entre a direita e a extrema-direita”.

Após o resultado de domingo, Grégoire afirmou que Paris resistiria aos setores mais reacionários e pro – imperialistas na preparação para as eleições presidenciais do ano que vem. Os dois mandatos de Macron como presidente terminam na próxima primavera e a RN está com alta popularidade nas pesquisas.

ELEIÇÕES LOCAIS FORAM TESTE PARA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2027

Mais de 1.500 cidades e vilas votaram no segundo turno das eleições locais no domingo, consideradas um teste do clima político antes da eleição presidencial de 2027.

Em Marselha, a segunda maior cidade da França, o prefeito Benoît Payan se reelegeu com uma coalizão de esquerda, que incluía os socialistas e os verdes, impedindo a ascensão da  RN, derrotando seu candidato Franck Allisio.

Payan afirmou que Marselha transmitiu “uma mensagem de paz e união”. Ele disse que foi uma vitória para “os humanistas que rejeitam as vozes que fomentam a divisão”.

PREFEITO COMUNISTA VENCE EM NÎMES

Na cidade de Nîmes, no sudeste do país, Julien Sanchez, da RN, que era tido como favorito, não conseguiu se eleger. Em vez disso, o comunista Vincent Bouget, à frente de uma união de esquerda, venceu na cidade, que era governada pela direita tradicional há 25 anos.

Além de controlar as prefeituras, as eleições municipais também serviram a outro propósito importante para os partidos: as próximas eleições para o Senado, em setembro, que, como a cada três anos, renovarão parte de suas cadeiras. Na França, essa eleição é realizada indiretamente por meio de um colégio eleitoral, composto principalmente por representantes locais (prefeitos, vereadores e deputados regionais), vinculando, assim, diretamente as duas eleições.

A DIREITA VENCEU EM NICE E HAVRE

Entre as primeiras cidades a apurar os votos, a RN não conseguiu conquistar alguns de seus principais alvos. Laure Lavalette, uma aliada próxima de Le Pen, não venceu em Toulon, uma cidade portuária histórica no Mediterrâneo com 180 mil habitantes. Em vez disso, o atual prefeito que representa setores mais de centro se manteve na administração da prefeitura.

Em Nice, Riviera, vence a direita. Um aliado chave da extrema-direita venceu em Nice. Éric Ciotti, que deixou a liderança do partido de direita tradicional, os Republicanos, e uniu forças com Marine Le Pen em 2024 – a quinta maior cidade da França -, derrotando seu rival histórico também de direita, Christian Estrosi.

Em vários lugares, espera-se que o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe dê início à sua candidatura de centro-direita à presidência francesa no próximo ano, após ser reeleito prefeito da cidade portuária de Le Havre, no norte do país.

Philippe foi primeiro-ministro durante o primeiro mandato de Macron, inclusive no início da pandemia de Covid. Ele vem se preparando há mais de um ano para concorrer à presidência em 2027.

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