Na última semana, uma educadora de 65 anos relatou ter sido ameaçada com uma arma de fogo dentro do Colégio Estadual Cívico-Militar Jardim Maracanã, em Toledo, durante o exercício de suas funções e na presença de estudantes. O caso resultou no desligamento do monitor militar envolvido do Programa Colégios Cívico-Militares do Paraná.
De acordo com termo de declaração registrado junto ao 19º Batalhão de Polícia Militar de Toledo (19º BPM), a funcionária afirmou que um militar aposentado que atuava como monitor no colégio sacou uma arma na presença de alunos, mirou em direção ao seu rosto e disse que iria atirar. Ainda conforme o relato, ele teria proferido ofensas, chamando a trabalhadora de “bruxa” e “velha”.
A funcionária registrou um termo de declaração junto a PM e buscou atendimento médico devido a crises nervosas provocadas pela ameaça. A recomendação médica foi de afastamento para tratamento da saúde mental. No termo, a declarante cita que o policial também está envolvido em casos de ameaças a alunos.
A APP-Sindicato, que representa os trabalhadores da educação do Paraná, encaminhou à Secretaria de Estado da Educação (SEED) um pedido de afastamento imediato do policial do Programa Colégio Cívico-Militar e a instauração de procedimento para apuração rigorosa dos fatos.
Segundo a entidade, o caso é “inadmissível, pois fere não apenas a integridade física e psicológica da educadora e dos estudantes que presenciaram o ocorrido, bem como dos demais integrantes da comunidade escolar, mas também compromete a escola pública como ambiente seguro, acolhedor e espaço de respeito e formação cidadã”.
Da mesma forma, em nota, a SEED informou que, ao tomar conhecimento do ocorrido, o Núcleo Regional de Educação de Toledo (NRE) adotou medidas imediatas.
“Ao tomar conhecimento do ocorrido no Colégio Estadual Cívico-Militar Jardim Maracanã, em Toledo, o Núcleo Regional de Educação (NRE) adotou imediatamente as medidas cabíveis de afastamento e medidas administrativas que acarretaram no desligamento do militar do Programa Colégios Cívico-Militares do Paraná”, disse a SEED.
Veja a íntegra do posicionamento do Sindicato:
Nota da APP-Sindicato: repúdio à violência contra educadora em colégio cívico-militar de Toledo
A APP-Sindicato manifesta seu mais veemente repúdio à grave ocorrência de violência e de ofensas de cunho etarista e misógino contra uma funcionária de 65 anos do Colégio Cívico-Militar Maracanã, em Toledo, no exercício de suas funções, registrada no dia 17 de março de 2026. Conforme termo de declaração lavrado perante ao 19º Batalhão de Polícia Militar de Toledo-PR, a educadora relata que o militar aposentado, identificado como Alcebiades Vieira e que atua como monitor militar no estabelecimento, sacou uma arma na presença de estudantes, apontou para o rosto da trabalhadora e falou que iria atirar nela, chamando a de “BRUXA” e “VELHA”.
Ao tomar conhecimento, a APP-Sindicato formalizou junto à Secretaria de Estado da Educação um pedido de afastamento imediato do policial do Programa Colégio Cívico-Militar, a instauração de procedimento para apuração rigorosa dos fatos, com responsabilização dos(as) envolvidos(as), bem como a adoção de medidas urgentes que garantam a segurança dos(as) trabalhadores(as) da educação e dos(as) estudantes. Também manifestamos nossa solidariedade à trabalhadora e à comunidade escolar e nos colocamos à disposição para prestar todo o apoio necessário.
A agressão contra uma mulher trabalhadora da educação, nesse contexto, evidencia a urgência de enfrentar todas as formas de violência de gênero, especialmente nos locais de trabalho. Trata-se de um episódio inadmissível – registrado, inclusive, no mês de março, período simbólico de luta, resistência e afirmação dos direitos das mulheres – que fere não apenas a integridade física e psicológica da educadora, dos(as) estudantes que estavam próximos ao ocorrido e dos(as) demais integrantes do estabelecimento de ensino, mas também a escola pública como ambiente seguro, acolhedor e espaço de respeito e formação cidadã.
Não aceitaremos qualquer forma de violência, intimidação ou desrespeito contra os(as) trabalhadores(as) da educação. A violência, seja no ambiente de trabalho ou em qualquer outro lugar, não pode ser naturalizada nem tolerada. Por isso, seguiremos acompanhando o caso e reafirmamos o nosso compromisso com a defesa da dignidade dos(as) trabalhadores(as), dos direitos das mulheres e de toda a comunidade escolar.
Direção Estadual da APP-Sindicato
Curitiba, 20 de março de 2026











