Em assembleia que lotou o auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na última quinta-feira (26), os professores decidiram deflagrar greve da categoria por tempo indeterminado por recomposição salarial.
Segundo Associação dos Docentes da UERJ (Asduerj-Seção Sindical do ANDES-SN), a greve acontece após terem se esgotado todas as tentativas de negociação com o governo de Cláudio Castro (PL) – que se afastou do cargo na semana passada para fugir da cassação, mas foi cassado pelo TSE e se tornou inelegível.
A categoria reivindica o pagamento das perdas salariais, com o pagamento de duas parcelas da recomposição salarial prevista em lei e acordada em 2021; a recomposição inflacionária recente, o retorno dos triênios, a correção das distorções nos benefícios e ampliação do orçamento da UERJ.
“Essa lei (de 2018) estabeleceu que os benefícios incidiriam só no salário base e não no nosso salário total, de modo que a gente perde 40% do que deveria receber dos nossos benefícios. Os descontos, o IRPF, o Rio Previdência incidem no nosso salário total. Então, a gente paga os descontos no valor total e recebe apenas 60% dos nossos benefícios”, esclarece o presidente da Associação, Gregory Magalhães,
De acordo com a entidade, em 2021, foram criadas duas leis que também prejudicaram os professores. Uma delas acabou com os triênios e outra parcelou o pagamento da recomposição salarial referente aos IPCAs dos anos 2017 e 2021 em três vezes.
“Recebemos 50% da recomposição em 2022. Os 25% previstos para 2023 e os outros 25% de 2024 não foram pagos. Na prática, houve um calote de metade da recomposição: recebemos 13,05% e deixamos de receber outros 13,05%. Desde então, a Asduerj tem realizado atos, audiências públicas e solicitado a abertura de uma mesa de negociação com o governo, mas a categoria vem sendo ignorada há cinco anos”, explicou Gregory.
“Há cinco anos oficiamos o governo do Estado do Rio de Janeiro para nos receber na mesa de negociação. Nunca fomos respondidos. A única resposta da chefia de gabinete do governador foi que ia tentar agendar a reunião, mas nunca foi agendada”, reclama o sindicalista.
Ele aponta como obstáculos ao movimento grevista a renúncia ao cargo e condenação do ex-governador Cláudio Castro ao longo dessa semana, e a ausência de um representante definitivo, que agora dificultam ainda mais a negociação.
Para Gregory Castro, há um “projeto de asfixia” da universidade. Segundo ele, a nomeação por Castro do deputado Anderson Moraes (PL), autor de um projeto de lei para extinguir a UERJ, como Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, pasta à qual a universidade está vinculada, é a prova mais evidente dessa política.











