O preço do combustível está subindo, e o preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, denunciou o presidente sobre a agressão de Trump ao Irã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta quarta-feira (1) a agressão dos EUA e Israel ao Irã que está provocando a alta dos preços do petróleo em todo o mundo e disse que fará de tudo para impedir a alta no Brasil. Asc críticas foram feitas em entrevista a uma rádio do Ceará.
“Vocês estão vendo o bloqueio à Cuba, o que fizeram na Venezuela, o que fizeram no Irã. E agora, o que está acontecendo com a guerra no Irã? O preço do combustível está subindo, e o preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, denunciou o presidente.
A agressão completou um mês sem perspectiva concreta de cessar-fogo. Desde então, o preço do barril de petróleo já subiu cerca de 50%, ampliando os impactos sobre economias dependentes de importação. O Brasil compra fora cerca de 30% do diesel que consome.
Lula destacou que o governo está tomando todas as medidas para impedir a alta dos preços e criticou os atravessadores. Diante de aumentos abusivos que estão ocorrendo, mesmo com fiscalizações ocorrendo, ele disse que poderá ser preciso “colocar alguém na cadeia”.
Lula está buscando um acordo com os governadores no combate à alta dos preços. “Não quero impor na marra subsídio aos estados para baratear o preço do diesel”, disse ele, reforçando que insistirá em um acordo com governadores. No momento já são vinte governadores que estão apoiando a proposta do governo para enfrentar o prolema.
Lula criticou as privatizações feitas no setor de petróleo pelo governo Bolsonaro. “Nós tomamos todas as medidas possíveis para evitar que se aumente o óleo diesel. Mas, no governo passado, eles venderam a distribuidora BR Distribuidora. Então, quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobrás baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, declarou o presidente.
As privatizações deixaram o governo mais vulnerável às crises externas. Lula destacou que a guerra de Trump está provocando turbulências mas que seu governo saberá enfrentá-las, sem obrigar ninguém a aderir.
Segundo Lula, essas negociações com os estados não podem acontecer “na marra”, mas, sim, com acordo. “O que estou fazendo neste instante, por conta da guerra: o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, e está faltando óleo diesel. O Brasil importa 30% do óleo diesel e produz 70%, e o preço está aumentando no mundo inteiro. Tomamos a atitude de isentar PIS e Cofins [impostos federais], equivalente a 32 centavos no preço do óleo diesel, para a Petrobras não precisar aumentar. E fizemos isenção para os governadores não precisarem aumentar também”, disse Lula.
“Agora mesmo, propusemos aos governadores um acordo para que eles reduzam o ICMS, e o governo paga metade e eles a outra metade — tudo isso com acordo [medida que não foi aceita pelos governadores]. Não queremos fazer na marra. Queremos fazer o acordo, e isso vai acontecer. Vamos continuar fazendo todo o esforço”, emendou.
“Não vamos comparar com a política do Bolsonaro, porque não tem nada a ver, até porque a situação é totalmente diferente. Nós temos uma guerra. Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã. Alegando o quê? Que no Irã tinha arma nuclear. Mentira. Eu digo porque eu fui, em 2010, ao Irã fazer um acordo — e fizemos o acordo — e depois os EUA não aceitaram, nem a União Europeia”, afirmou.
Lula frisou que a decisão de zerar a cobrança de impostos federais sobre o diesel — anunciada em 12 de março por ele — tem como pano de fundo o cenário de tensão no Oriente Médio.
Inicialmente, o governo propôs que os estados reduzissem a cobrança do imposto, algo que não foi aceito pelos estados. Agora, as tratativas são por uma subvenção, ou seja, um apoio financeiro a importadores de diesel.
A proposta prevê um custo total de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, dividido entre União e estados, com cada ente arcando com R$ 0,60 por litro subsidiado. A iniciativa busca reduzir a pressão inflacionária e evitar riscos de desabastecimento diante da defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.
Pelo menos 20 estados já chegaram a um acordo com o governo federal para conceder esse apoio financeiro à importação de diesel, na tentativa de conter a alta dos preços do combustível no país.
A expectativa do Executivo é que a ampla participação aumente a efetividade da medida no controle dos preços. O presidente afirmou, no entanto, que há casos de pessoas e empresas que estariam recebendo o benefício para não reajustar os preços do diesel, mas que, mesmo assim, estariam aumentando os valores.
Segundo Lula, a Polícia Federal e os órgãos de defesa do consumidor dos estados estão fiscalizando a situação. Ponderou, entretanto, que se houver irregularidades, os responsáveis poderão ser punidos. “O que acontece é que, como você tem gente de mau caráter neste país, tem gente que está recebendo para não aumentar e está aumentando. Então, nós estamos com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, tudo fiscalizando, porque vamos ter que colocar alguém na cadeia”, afirmou Lula.











