Em resposta à tentativa da Uber de intimidar o governo diante dos avanços na regulamentação do trabalho por aplicativo que vem sendo construído e discutido com a categoria, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que “nenhuma empresa norte-americana vai dizer o que o Brasil tem que fazer”.
“Não vai nos intimidar”, falou o ministro em vídeo divulgado em suas redes sociais na terça-feira (31), após receber uma notificação extrajudicial da empresa em seu gabinete no Palácio do Planalto.
“Olha o que eu acabei de receber aqui no meu gabinete: uma notificação extrajudicial da Uber. Ameaçando processo, inclusive”, afirmou. “Não tem nenhuma empresa norte-americana, estrangeira, de onde quer que seja, que vai intimidar o trabalho do governo do presidente Lula. Não vai chegar aqui e dizer o que o Brasil tem que fazer”, afirmou Boulos.
“Pode enviar um, dois, dez processos. A gente vai continuar lutando para garantir dignidade para o trabalhador brasileiro”, declarou o ministro.
A ameaça da empresa aconteceu após declarações em que o ministro criticou a atuação das plataformas, sugerindo que alguns setores políticos estariam atuando a favor de empresas como Uber e iFood, que resistem à regulamentação.
“Quem é motorista sabe bem: uma parte importante do dinheiro que o cliente paga vai para a Uber. O motorista tem o carro, paga gasolina, assume o risco. E a Uber chega a ficar com 40%, às vezes 50% do valor da viagem”, disse. “Isso é um absurdo. Ninguém está dizendo que a empresa não pode ter lucro. Mas esse pedágio é uma taxa de exploração, de agiotagem”, disse ainda o ministro, reforçando suas críticas.
Guilherme Boulos comparou ainda com outros ramos de negócios, como a intermediação imobiliária, que atuam dentro de limites legais: “Um corretor fica com cerca de 6%. A Uber fica com 30%, 40%, 50% só por fazer intermediação tecnológica. Isso é um escândalo”, ressaltou.
Conforme afirma o ministro, a demanda principal dos motoristas e entregadores é a melhoria da remuneração, eixo central das propostas apresentadas pelo governo.
Entre as medidas que estão sendo costuradas no projeto do governo está o aumento do valor mínimo por entrega, de R$ 7,50 para R$ 10. “É justo, é legítimo e o governo do presidente Lula abraçou essa pauta”, afirmou Boulos em relação às críticas de que a mudança poderia inviabilizar o modelo de negócios das plataformas.











