Faturamento real da indústria cresce 4,9% em fevereiro, aponta CNI

Horas trabalhadas na produção cresceram 0,7%. (Foto Gabriel Pinheiro/Divulgação/CNI)

Sob efeito dos juros elevados, indicador acumula queda de 8,5% na comparação entre o primeiro bimestre de 2026 e o mesmo período de 2025

O faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9% em fevereiro de 2026, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados nesta quarta-feira (8). Em janeiro o índice havia subido 1,3%.

Contudo, a entidade alerta que apesar da sequência positiva, o indicador acumula queda de 8,5% na comparação entre o primeiro bimestre de 2026 (janeiro e fevereiro) e o mesmo período do ano passado (-6,0%).

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, avalia que “ainda é cedo para apontar uma reversão do quadro negativo visto desde o segundo semestre do ano passado. Os resultados positivos vistos nesse início de ano se explicam mais pela base fraca de comparação do que por uma mudança drástica do cenário de dificuldade que a indústria vem enfrentando”.

O fraco desempenho da indústria de transformação em 2025 reflete o patamar elevado da taxa básica de juros (Selic), que atingiu 15% em junho do mesmo ano. Esse nível foi mantido até a reunião do Copom de março de 2026, quando a taxa nominal foi cortada em 0,25 pontos porcentuais. 

Apesar da redução para 14,75%, o custo do crédito permanece elevado, pressionando para baixo o consumo e os investimentos produtivos no país.

O emprego no setor recuou -0,1% em relação a janeiro. O indicador também registrou taxas negativas em relação ao mesmo mês de 2025 (-0,7%) e nos dois primeiros meses de 2026 (-0,4%) ante ao mesmo intervalo de meses do ano passado.

As horas trabalhadas na produção cresceram  0,7% em fevereiro. Em relação a janeiro e fevereiro do ano passado, o indicador assinala queda 2,7%.

Já a massa salarial real ficou inalterada (0,0%) na passagem de janeiro para fevereiro de 2026. Na comparação do acumulado no primeiro bimestre de 2026 com igual período de 2025, há alta de 0,9%.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. A UCI média do primeiro bimestre de 2026 está 1,6 ponto percentual abaixo do mesmo período do ano passado.

Segundo a avaliação de Marcelo Azevedo, embora a atividade industrial apresente resultados positivos, com altas sucessivas no faturamento e na produção, o cenário ainda exige cautela. “Esses resultados não reverteram as quedas dos últimos meses de 2025 e dificilmente isso vai acontecer nos próximos meses”, comenta. 

“A gente não vê no curto prazo muitas mudanças nesse cenário de demanda mais fraca para a indústria, consequentemente se refletindo em um faturamento menor e em horas trabalhadas  na produção ainda também comprimidas”, completa  Azevedo.

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