Xi Jinping estende tapete vermelho à presidente do Kuomitang, maior partido de oposição de Taiwan

Líder do Kuomintang recebida por Xi Jinping (Al Jazeera)

Xi e Cheng Li-wun brindam no Grande Salão do Povo ao “Consenso de 1992”, ao princípio de Uma só China, à paz no Estreito e oposição ao separatismo. Líder do KMT em visita de seis dias à China continental

A presidente do maior partido de oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, encabeçando uma delegação de 14 dirigentes do Kuomitang chinês (KMT), foi recebida com tapete vermelho no Grande Salão do Povo em Pequim pelo secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, que é também o presidente do país, nesta sexta-feira (10), coroando a visita de seis dias à China continental.

A visita, iniciada no dia 7, irá até domingo. A delegação visitou a província de Jiangsu e Xangai antes de chegar a Pequim.

É a primeira vez em quase uma década que o mais alto dirigente do Kuomitang viaja à China continental, visita realizada sob o espírito do “Consenso de 1992”, que reafirmou o princípio de “uma só China” e estimulou os contatos entre a população dos dois lados do estreito.

“Nós desejamos, sob a base política comum da manutenção do Consenso de 1992 e oposição à independência de Taiwan, trabalhar com todos os partidos políticos de Taiwan, grupos e pessoas dos mais diferentes setores, inclusive o Kuomitang chinês, para fortalecer os intercâmbios e o diálogo, para buscar a paz para ambos os lados do estreito, para promover o bem-estar de todos os nossos compatriotas e para perseverar pelo rejuvenescimento da nação chinesa”, afirmou Xi.

Xi enfatizou que, independentemente de como o cenário internacional e a situação do outro lado do Estreito de Taiwan evoluam, a tendência geral para a grande revitalização da nação chinesa não mudará, e o impulso predominante para que os chineses de ambos os lados do Estreito se unam não mudará.

Ele acrescentou que as pessoas de ambos os lados do Estreito de Taiwan esperam paz e tranquilidade, melhorias nas relações entre os dois lados e vidas melhores. “Essa é uma responsabilidade da qual o PCC e o KMT não podem fugir, e também uma força motriz para que os dois partidos trabalhem juntos”, disse Xi.

Ele defendeu a criação de laços mais estreitos através do Estreito, mantendo uma compreensão correta da identidade nacional. “Diferenças nos sistemas sociais não devem ser desculpa para a secessão”, disse Xi.

A questão central para proteger a pátria compartilhada está em reconhecer que ambos os lados do Estreito pertencem a uma única China, enfatizou Xi.

“Acolhemos quaisquer propostas que favoreçam o desenvolvimento pacífico das relações entre os dois dos dois lados do Estreito e não pouparemos esforços para avançar com quaisquer iniciativas que promovam tal desenvolvimento”, disse Xi, acrescentando que a ‘independência de Taiwan’ é a principal responsável por minar a paz em todo o Estreito de Taiwan. “Não devemos tolerar nem aprovar isso.”

A líder da oposição de Taiwan, Cheng, expressou sua expectativa de que o Kuomitang chinês e o Partido Comunista da China irão “promover a institucionalização da paz através do Estreito sob a fundação política comum da manutenção do Consenso de 1992 e oposição à independência de Taiwan”.

Ela conclamou ao estabelecimento de “mecanismos institucionalizados e sustentáveis para o diálogo, de modo a tornar irreversível o desenvolvimento pacífico através do estreito”.

A visita de Cheng é ainda mais significativa na medida em que o atual governo de Taiwan, do Partido Democrático Popular (DPP), estreitamente ligado às maquinações dos círculos imperialistas americanos, promove acintosamente o separatismo e neste momento negocia a maior aquisição de armas em décadas com Washington, cujas provocações no Mar do Sul da China não param.

SUN YAT-SEN

Na quarta-feira (8), Cheng e sua delegação estiveram no Mausoléu a Sun Yat-sen, venerado em toda a  China e inclusive em Taiwan, que liderou a revolução de 1911 que derrubou a dinastia imperial e proclamou a república e, ainda, fundador do Kuomitang, então a agremiação para onde convergiam todos os que desejavam a superação do “século de humilhações”.

Emocionada, ela homenageou o estadista: “Em 12 de março de 1925, o doutor Sun Yat-sen, pai da nação, faleceu. Trezentos mil foram às ruas para se despedir, gritando: ‘Abaixo o imperialismo! Abaixo os senhores da guerra!’. Taiwan estava sob domínio colonial japonês havia 30 anos. Mesmo sob repressão, foram realizadas cerimônias em Taiwan numa escala sem precedentes. Mas escritos em sua memória foram censurados pelas autoridades japonesas.”

O Kuomintang, ou Partido Nacionalista Chinês, governou a China até 1949, quando perdeu a guerra civil para o Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tsé-Tung, e que se fortalecera no enfrentamento à ocupação japonesa. O KMT recuou para  Taiwan sob proteção da frota naval americana.

A ilha, arrancada pelo Japão ao final do “século de humilhações”, foi formalmente reintegrada à China com a derrota dos imperialistas japoneses na II Guerra Mundial. E durante mais de duas décadas foi o governo do KMT que ocupou o lugar de representante da China no Conselho de Segurança da ONU, condição só corrigida, pela Assembleia Geral da ONU, em 1971.

O consenso de 1992, conforme articulado durante as negociações, baseia-se no princípio de que ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma China e devem trabalhar juntos para a reunificação nacional.

Sua importância está em definir a natureza fundamental das relações entre os dois lados do Estreito – ou seja, que elas não são relações entre Estados, nem constituem “duas Chinas” ou “uma China, uma Taiwan.” Em vez disso, o quadro fornece uma base política para o diálogo e a cooperação, preservando a possibilidade de desenvolvimento pacífico.

 “JORNADA PELA PAZ”

Cheng disse ainda que, com a visita, espera tornar o Estreito de Taiwan mais seguro e não um dos “lugares mais perigosos do mundo”. “Se você realmente ama Taiwan, você aproveitará todas as oportunidades e todas as possibilidades para evitar que Taiwan seja devastada pela guerra”, disse ela ressaltando a necessidade de diálogo com Pequim. “Preservar a paz é preservar Taiwan.”

Cheng disse também que as pessoas de ambos os lados do Estreito de Taiwan são chinesas e pertencem a uma mesma família.

Acompanhando Cheng estavam Chang Jung-kung, que teve papel fundamental na realização da visita de Lien Chan ao continente em 2005 e atua como atual vice-presidente do KMT, além de Su Chi, que originalmente cunhou o termo “Consenso de 1992”.

REUNIFICAÇÃO PACÍFICA JÁ SE DEU EM HONG KONG E MACAU

A República Popular da China, que já realizou a reunificação pacífica de Hong Kong e de Macau, usando sabiamente a concepção de “um país, dois sistemas”, anseia completar a reunificação da milenar nação, parte essencial da sua revitalização, mas não se submeterá aos separatistas nem a seus amos, como já extensamente demonstrado.

A ostensiva intervenção americana lançou uma sombra de perigo e conflito militar sobre a região, e instaurou tensão e instabilidade em todo o Estreito de Taiwan. Como destacou o GT, “os moradores de Taiwan têm sofrido profundamente com essa situação e anseiam por um ambiente de vida pacífico e estável, intercâmbios sem impedimentos entre os dois lados do Estreito e perspectivas econômicas que permitam um desenvolvimento seguro e estável”.

INTERCÂMBIO SE INTENSIFICA

Apesar de tudo, seguem fortes os laços entre os dois lados do Estreito. No ano passado, moradores de Taiwan fizeram quase 4,9 milhões de visitas ao continente, um aumento anual de 21,6%; enquanto moradores do continente fizeram 557.700 visitas a Taiwan, um aumento anual de 47,4%.

Nos últimos anos, o crescimento constante dos laços econômicos e comerciais entre os dois lados do Estreito minou completamente a narrativa separatista dos arautos da ‘independência de Taiwan’.

No ano passado, o comércio total entre o continente e Taiwan atingiu 314,3 bilhões de dólares, com as exportações do continente para Taiwan crescendo 11,2% e as importações de Taiwan aumentando 6%. De janeiro a outubro do ano passado, 6.423 novas empresas financiadas por Taiwan foram estabelecidas no continente, com o investimento atingindo US$ 1,75 bilhão, um aumento de 53% em relação ao ano anterior.

Como destaca o GT, “a comunicação e o diálogo entre o KMT e o PCC conterão as atividades separatistas, combaterão interferências externas e reconduzirão as relações do Estreito de volta ao caminho correto de desenvolvimento pacífico”.  

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