Dele Trump dizia ser “um cara fantástico”, um líder “forte e poderoso” e até enviou seu vice Vance na reta final de campanha
O primeiro-ministro Viktor Orbán, do Partido Fidesz, admitiu neste domingo em breve discurso em Budapeste a vitória da oposição, o partido Tisza, encabeçado por um ex-integrante de seu governo, Péter Magyar, em eleições que tiveram um comparecimento às urnas recorde, 75%.
Na última semana, em seu socorro o presidente Trump enviara seu vice, JD Vance, para apoiar Orbán, mas parece que isso acabou sendo o último prego no caixão. Vance esteve lá por dois dias, acompanhado da esposa. Orbán vivia sendo paparicado por Trump que o classificara como “um cara fantástico” e um líder “forte e poderoso” e os trumpistas viam na Hungria sob o Fidez uma espécie de “disneylândia cristã conservadora”.
Em fevereiro, o secretário de Estado Marco Rúbio, em visita a Orbán, asseverara que “o presidente Trump está profundamente comprometido com o sucesso de vocês, porque seu sucesso é o nosso sucesso”.
Com 96% dos votos apurados, o Tisza, de centro-direita, e que fez campanha contra a corrupção, em favor dos laços com Bruxelas supostamente ameaçados por Orbán, pelo restabelecimento da democracia e pela entrada na zona do euro, irá conquistar 138 cadeiras – mais de dois-terços, contra 54 do Fidesz e 6 do também de extrema direita Mi Hazánk. Uma supermaioria, capaz de emendar a constituição.
Orbán estava no poder desde 2010. É notório por sua ojeriza a imigrantes, figura carimbada nos convescotes internacionais da extrema-direita e conhecido admirador de Jair Bolsonaro e Javier Milei.
Em discurso aos seus apoiadores, Orbán reconheceu que o resultado é “doloroso, mas inequívoco”. “Serviremos nosso país e a nação húngara na oposição”, acrescentou. Ele parabenizou o partido vencedor.
A campanha do Tisza, por sua vez, teve um forte apoio da burocracia da União Europeia e da Alemanha, que o viam como uma pedra no sapato por continuar comprando petróleo russo em vez de petróleo americano e por se negar a aprovar um empréstimo ao regime de Kiev de 90 bilhões de euros – a ser pago pelos contribuintes europeus – para a guerra da Otan contra a Rússia na Ucrânia. Também era criticado por se abster a se envolver na guerra, como outros países fronteiriços fizeram, como a Polônia.
A vitória também foi comemorada em Berlim, com o primeiro-ministro Friedrich Merz dizendo que “a Hungria falou” e que espera trabalhar com Péter Magyar “em direção a uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida”.











