Ele indicou três cargos no governo do Rio e os três estão presos por ligações com o Comando Vermelho. Sem falar no vice-governador, cupincha de Flávio, que também está preso por associação ao CV. Mas as manchetes sobre a CPI apontam para indiciamentos apenas no STF e na PGR. Pura palhaçada e manipulação
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, com seu relatório final indiciando integrantes do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República, parece ter sido esvaziada, infiltrada e manipulada pelo próprio crime organizado.
CRIMES DE FORA
Sim porque ela tinha para investigar os crimes do banqueiro Daniel Vorcaro e de seus cúmplices, Roberto Campos Neto, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro, Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira e outros, e não o fez. Esses nomes citados foram responsáveis por bilhões desviados para o banco fraudulento, uso de jatinhos, etc. Mas a CPI não se dedicou a esses crimes. Ela descambou para o jogo bolsonarista de tentar enfraquecer as instituições que condenaram Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Só Ibaneis Rocha, governador bolsonarista, autorizou a compra de uma carteira de créditos do Banco Master completamente bichada, falsificada e abarrotada de títulos podres, por R$ 12 bilhões. Só essa negociata deveria colocar o governador do DF na cadeia. Pois ele não foi molestado pela CPI. Sem falar que, depois, o governador tramou a compra do Master pelo BRB, o banco público da capital federal. Vejam o tamanho do escândalo. Aí o que nós vemos no relatório final da CPI é o pedido de indiciamento de ministros do STF e do Procurador-Geral da República.
Estamos falando até agora apenas de Ibaneis e sua transferência criminosa de R$ 12 bilhões para Vorcaro. Não faltam provas de que ele participou de uma grande falcatrua. Mas o que está nas manchetes desta terça-feira (14) é o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Paulo Gonet por terem mantido contatos indevidos com o banqueiro ladrão. É uma total inversão de valores e de prioridades. Ou seja, é uma demonstração de manipulação bolsonarista da CPI para acobertar os verdadeiros criminosos e para enfraquecer o STF e a PGR no ano eleitoral. É o golpismo em plena preparação para novo golpe.
MILHÕES PARA BOLSONARO E TARCÍSIO
Se seguirmos em frente, a coisa fica ainda mais escandalosa. O banqueiro ladrão depositou R$ 2 milhões no caixa de Tarcísio de Freitas e mais R$ 3 milhões na campanha de Jair Bolsonaro. Tarcísio, o governador bolsonarista de São Paulo, retribuiu tirando R$ 160 milhões do caixa da Emae, privatizada por ele, para despejar no Banco Master. Bolsonaro não ganhou as eleições, mas tinha dado muita força a Vorcaro através de Roberto Campos Neto que, estranhamente, autorizou o Banco Master, que estava proibido de atuar no mercado desde os tempos do Banco Máximo, a voltar a atuar no mercado. Nada disso foi tratado na CPI.
O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, foi outro que viajou várias vezes no jatinho particular de Daniel Vorcaro para fazer campanha para Bolsonaro. Quem pagou? O avião era do banqueiro ladrão. Não há nenhuma referência a esse crime na CPI do Crime Organizado. Ela simplesmente não chamou o parlamentar para se explicar. Há, no mínimo, algo de muito estranho em tudo isso.
Mas, não para por aí. O principal responsável pela autorização para que um banco banido do mercado voltasse a atuar foi Roberto Campos Neto. Nomeado por Bolsonaro, ele deu toda força para o crescimento do Banco Master. Como pode, ele não ter sido ouvido pela CPI? Pois é. Esse tipo de coisa só reforça que a CPI, na melhor das hipóteses, acobertou os verdadeiros criminosos.
E nem falamos ainda do governador bolsoarista do Rio, Cláudio Castro, que foi afastado por corrupção. Ele desviou R$ 1 bilhão do fundo de aposentadoria dos servidores do estado para abarrotar os cofres de Daniel Vorcaro. Cláudio Castro também não foi ouvido e não está nas manchetes como possível indiciado. Também não foi molestado o senador Ciro Nogueira, do círculo íntimo de Bolsonaro, que tentou forçar a compra do Master pelo BRB. Chegou até a ameaçar o diretor do Banco Central que impediu a negociata.
FLÁVIO E COMANDO VERMELHO
Mas vamos para outro setor do crime organizado. Afinal, a CPI era do Crime Organizado. Então como ficou a investigação das ligações do senador Flávio Bolsnaro com seus indicados ao governo do Rio de Janeiro, que foram presos por ligações com o Comando Vermelho? E quem são essas pessoas indicadas por Flávio e que são ligadas ao CV? São eles Alessandro Carracena, Alessandro Pitombeira e Gutemberg Fonseca. Os três foram acusados de ligações com a principal facção do Rio de Janeiro. Fora o vice-governador do Rio, Rodrigo Bacelar, que é apoiado por Flávio Bolsonaro, e que também foi preso por ligações com o Comando Vermelho.
Antes das ligações com facções criminosas, o gabinete de Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual, era investigado por ligações com as milícias do Rio (caso Adriano da Nóbrega) e esquemas de “rachadinha”, e lavagem de dinheiro de milicianos.
Agora que Carracena, Pitombeira e Gutemberg Fonseca são investigados por ajudar a organização criminosa, passou-se a associar o nome do senador também ao crime organizado, especificamente ao Comando Vermelho.
Flávio Bolsonaro, que há muito tempo vem tentado inescrupulosamente associar o nome de Lula ao narcotráfico, inclusive em reuniões nos EUA, agora experimenta de seu próprio veneno. Com uma diferença. As aleivosias dele contra Lula não tinham nenhuma base na realidade. Já as ligações de indicados seus para cargos no governo do Rio de Janeiro são provas contundentes de ligações com o crime organizado.
Sem dúvida, além dos citados acima, o nome de Flávio Bolsonaro deveria encabeçar a lista de indiciados da CPI do Crime Organizado. Mas não. A marca da manipulação bolsonarista da CPI está exatamente no acobertamento dos criminosos e nas baterias apontadas para o STF e a PGR, órgãos que foram linha de frente na luta contra o fascismo bolsonarista. E mais grave, os indiciamentos pedidos são baseados em fatos menores e ilações sem nenhuma prova.
SÉRGIO CRUZ
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