Máfia bolsonarista e Vorcaro desviaram R$ 12 bilhões para “fundos fajutos”

Campos Neto, Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Foto: Marcos Oliveira - Agência Senado e reprodução de redes sociais

Só o Reag, investigado por lavar dinheiro do PCC, ficou com quase metade do desvio. O banqueiro explodiu de ganhar dinheiro com fraudes após a chegada de Bolsonaro ao Planalto. Não por acaso, o dono do Master doou R$ 3 milhões para o golpista em 2022

Dados da Receita Federal confirmaram que Daniel Vorcaro e o Banco Master enviaram R$ 12,2 bilhões para fundos de investimento em que tinham algum tipo de participação entre 2017 e 2025. Isto é, roubaram descaradamente dos clientes.

Os jornalistas Vinícius Cassela e Caetano Tonet, do G1, mostraram que, desse total, 44% foram apenas para fundos ligados à Reag. No mesmo período, o Master sacou R$ 6,8 bilhões, enquanto Vorcaro sacou R$ 581 milhões de todas as aplicações que fez. As transferências foram feitas em 184 contas de 67 fundos de investimento diferentes.

Os golpes dados por Daniel Vorcaro provocaram um rombo de mais de R$ 50 bilhões e já são considerados a maior fraude bancária do Brasil. Tudo isso foi feito com a cobertura do presidente do Banco Central, o bolsonarista Roberto Campos Neto. Ele autorizou a volta de um banco que estava proibido de atuar por ter cometido fraudes.

Outras figuras ligadas a Jair Bolsonaro, como o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro também fizeram negociatas bilionárias e criminosas com Daniel Vorcaro. O banqueiro não tinha nada de explodiu de ganhar dinheiro assim que Bolsonaro chegou ao Planalto. Não por acaso, o dono do Master doou R$ 3 milhões para o golpista em 2022. Ele agradeceu também a ajuda de Tarcísio de Freitas, o candidato bolsonarsta de São Paulo, com a doação de mais R$ 2 milhões.

Os bilhões desviados foram para arapucas do próprio Voraro. Os fundos vinculados à Trustee concentraram a maior fatia dos aportes, somando R$ 6,3 bilhões, 52% do total investido. Na sequência, aparecem os fundos da Reag, que receberam R$ 5,3 bilhões, ou 44% dos recursos. A Reag foi alvo da Operação Compliance Zero, a mesma que apura irregularidades envolvendo o banco Master e que resultou na prisão de Vorcaro, em 4 de março.

O banqueiro Daniel Vorcaro ao deixar a prisão (Foto: Reprodução – SBT)

As movimentações revelam indícios de fraude e lavagem de dinheiro. A Reag foi atingida pela operação Carbono Oculto, que investiga a atuação da chamada máfia dos combustíveis e suas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em janeiro, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos.

Ao longo do período analisado pela Receita Federal, o banco Master realizou aplicações bilionárias em dois fundos dos quais figura como cotista relevante. Um deles é administrado pela Reag e o outro pela Trustee. Juntas, essas operações somaram R$ 4,9 bilhões. O maior volume foi destinado ao fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) Scarlet, sob gestão da Reag, que recebeu R$ 2,5 bilhões.

O segundo aporte expressivo foi direcionado ao Montenegro FIDC, administrado pela Trustee, que recebeu R$ 2,4 bilhões ao longo do período. Diferentemente do Scarlet, que conta com cinco cotistas, o Montenegro possui apenas um investidor, o próprio banco Master.

O site de notícias ICL revelou que o principal destino dos recursos de Daniel Vorcaro foi o fundo Hans II FIP Multiestratégia, ligado à Reag Trust, integrante do grupo Reag. O fundo é gerido por João Mansur, apontado nas investigações como suspeito de participação em esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo Vorcaro e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os ativos vinculados, está a participação do banqueiro no Atlético-MG, por meio do fundo Galo Forte FIP, que recebeu um aporte de R$ 240 milhões e tinha patrimônio estimado em R$ 293 milhões em dezembro de 2025.

O Hans II é um fundo de investimento em participações (FIP) multiestratégia. O fundo possui 28 cotistas, entre eles o próprio Vorcaro, e, segundo a Anbima, registrava patrimônio líquido de R$ 3,6 bilhões em 31 de dezembro de 2025. Desse total, R$ 1,2 bilhão foi aportado pelo banqueiro.

A principal estratégia do fundo era investir em outro veículo, o fundo Jaya, que, por sua vez, direcionava recursos ao fundo Jade. Este último concentrava aplicações, sobretudo, em ações da Golden Green Participações, empresa ligada à família Vorcaro e atuante no mercado de crédito de carbono.

Em fevereiro, segundo o “Valor Investe”, o fundo Jade revisou o valor de sua participação na Golden Green de R$ 14,3 bilhões para zero, após reportagens indicarem que, mesmo cientes de irregularidades nos ativos, a Reag e os gestores mantiveram a avaliação bilionária ao longo de 2025. O ajuste provocou um efeito cascata: o patrimônio do Hans II despencou de R$ 3,6 bilhões para R$ 83 milhões.

Em uma janela de apenas 24 horas, o banqueiro realizou uma transação que lhe rendeu mais de R$ 290 milhões, envolvendo fundos administrados pela gestora, que é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro em benefício do banco Master e de empresas ligadas ao PCC.

As operações constam na declaração de Imposto de Renda de 2024, encaminhada pela Receita Federal à CPMI do INSS, na qual Vorcaro detalha os lucros obtidos com alienação de ativos em 2023. Além disso, em 2025, ele transferiu R$ 700 milhões em ativos do banco Master para uma offshore sediada nas Ilhas Cayman. A maior parte foi movimentada por meio do GSR Fundo de Investimento, cujo único acionista é o fundo Astralo 95.

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