“O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição Americana não garante isso e muito menos a carta da ONU”, destacou o presidente brasileiro
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (16) ao jornal espanhol El Pais que Donald Trump não tem o direito de ameaçar outros países.
“O Trump não tem o direito de acordar de manhã, achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição Americana não garante isso e muito menos a carta da ONU”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro cobrou que as lideranças políticas globais devem assumir uma posição de defesa da paz. Ele afirmou que “é como se o mundo fosse um navio à deriva” sem a ação de instituições multilaterais.
Lula argumentou que o chefe da Casa Branca “joga um jogo muito equivocado”. Para o líder brasileiro, ele “parte da premissa de que a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo”.
“Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para retomar a credibilidade, porque se não, Trump achará que tem razão”, acrescentou.
“Eu me considero seguro porque minha disputa com qualquer país do mundo não é pela guerra”, prosseguiu o presidente. “Nós queremos, da forma mais civilizada do mundo, negociar numa mesa de negociação. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países. Se isso prevalecer, o mundo volta a ter paz”, completou.
Lula disse que teve muita paciência quando Trum impôs as tarifas ao Brasil e sugeriu uma abordagem baseada na idade de ambos, dando a entender que o presidente americano estaria agindo de maneira infantil.
Ele afirmou: “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com muita maturidade. Não precisamos concordar ideologicamente. Além disso, eu disse a Trump que era importante definir que tipo de líder se quer ser. Eu prefiro ser um líder respeitado, não temido. Ninguém tem o direito de incutir medo.”
Sobre o fórum pela democracia que ele vai participar, Lula reafirmou que não é contra ninguém. “Não vai ser uma reunião anti-Trump. Vamos discutir a democracia: ver onde falhou e o que é preciso fazer para repará-la. Temos a obrigação de demonstrar à humanidade que a democracia é melhor do que o autoritarismo”, afirmou.
Lula embarca nesta quinta-feira (16) para Barcelona. O presidente também visitará a Alemanha e Portugal. A agenda na Europa inclui participação em fóruns multilaterais, reuniões com líderes empresariais e políticos até terça-feira (21).











