Dezenas de milhares tomaram as estradas do Líbano para retornar às aldeias do sul do país de onde tinham sido deslocados pelos bombardeios israelenses, após a entrada em vigor, à zero hora desta sexta-feira (17, hora local), do cessar-fogo no Líbano, exigido pelo Irã e finalmente acatado pelo governo Trump. A trégua irá até o dia 27.
Nos subúrbios ao sul da capital, Beirute, alvo de pesados ataques aéreos israelenses, o clima era de festa apesar do entulho dos prédios arrasados.
“Se Deus quiser, tudo terminará bem. Este cessar-fogo é uma vitória para nós. Houve resiliência por parte dos deslocados, resiliência de toda a população e apoio à resistência (Hezbollah)”, afirmou um morador, Iyad Jamal Eddine, à agência de notícias Reuters.
Em Sidon, uma grande cidade no litoral libanês, a rodovia que leva ao sul do país registrou um fluxo intenso de tráfego.
Em Qasmiyeh, já no sul do Líbano, uma longa fila de veículos se formou para atravessar uma passagem improvisada sobre o rio Litani, erguida às pressas após o cessar-fogo entrar em vigor, já que Israel destruiu várias pontes durante a guerra, entre elas a da cidade.
Na cidade de Nabatieh, no sul do país, em grande parte destruída, em tom de desafio alguns moradores que retornavam afirmavam que ficariam.
Alguns dos retirantes optaram por esperar. Sayyed Akram Atoun, da cidade de Markaba e que está em Beirute, decidiu aguardar antes de levar as filhas novamente para casa: “Não voltaremos até que a guerra termine e eles se retirem de todo o território libanês”.
Em uma postagem, o presidente Trump tentou se gabar do cessar-fogo, dizendo “ter proibido” o governo israelense de fazer novos ataques. “Israel não bombardeará mais o Líbano. Eles estão PROIBIDOS de fazê-lo pelos EUA. Chega!”, ele escreveu em sua rede social Truth Social.
Falando do subúrbio sul de Beirute, o deputado libanês Hassan Fadlallah, membro do bloco Lealdade à Resistência, creditou à firmeza do povo libanês, junto com a pressão decisiva iraniana, o cessar-fogo.
Dirigindo-se aos milhares que agora voltam para suas casas, Fadlallah saudou a população firme que marcha em direção ao sul, mostrando seu apego à terra e sua resistência a todas as ameaças israelenses no último mês e meio.
“Apesar de toda essa destruição e brutalidade israelense, Israel falhou em quebrar sua determinação e vontade”, disse ele. “Ouvimos suas vozes desde o início desta guerra; sua voz era mais forte do que o som de aeronaves, artilharia e ameaças.”
“Bint Jbeil, al-Taybeh e al-Khiam foram os que forçaram o inimigo a recuar”, disse ele, acrescentando que foi a “resiliência, firmeza, determinação e adesão aos direitos e à terra” que, em última análise, impulsionou o sucesso diplomático que o Irã ajudou a garantir.
Ele reafirmou um conjunto de princípios nacionais fundamentais, a saber, a retirada total de Israel, o retorno dos deslocados, a libertação de detentos e o lançamento dos esforços de reconstrução.
“Não aceitaremos nenhuma rendição ou submissão; esta é uma questão resolvida para nós”, disse ele, enfatizando que o objetivo principal é a retirada total de Israel e o retorno de todas as pessoas deslocadas às suas aldeias.
Para impor seu estado de apartheid ao Oriente Médio, Israel atacou o Líbano em 1978 e novamente em 1982, de que o massacre de Sabra e Chatila é a chaga que não fechará.
Depois manteve o sul do Líbano sob ocupação por quase duas décadas, sendo forçado a se retirar em 2000; tentou nova agressão em 2006 e voltou a ser barrado.
Após o 7 de outubro, Israel desencadeou um ataque terrorista usando pagers que matou e feriu centenas, manteve o país sob agressão constante, que não parou sequer quando estava em vigor o cessar-fogo anterior, em que cometeu milhares de violações.
Após a proclamação, pelo Irã e pelos EUA, do cessar-fogo de duas semanas, que incluía explicitamente o Líbano, o governo de Israel, formalizou, através do massacre de 300 civis em 10 minutos que, assim como a “moralidade” de Trump, não conhece qualquer limite, ainda mais quando se trata do projeto nazista do “Grande Israel”. Mas, a contragosto, está tendo de recuar.











