Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente brasileiro criticou as agressões de Trump a outros países e defendeu o multilateralismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não abrirá espaço para o fascismo. “Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas”, disse Lula em entrevista neste sábado (18) à revista alemã Der Spiegel.
“Aqui não há lugar para fascistas”, disser Lula demonstrando confiança na vitória das forças democráticas e fez a declaração mais forte da entrevista: “O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, nós vamos ganhar esta eleição e fazer com que a nossa democracia fique ainda mais estável. Aqui não há lugar para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia”.
Lula reforçou que o Brasil dispõe hoje de instituições mais preparadas para reagir a ataques contra a ordem democrática e ressaltou a responsabilização de envolvidos em ações golpistas. “É a primeira vez na nossa história que um ex-presidente e quatro generais foram responsabilizados por seus atos”, afirmou, ao defender o funcionamento da Justiça como condição essencial para impedir recaídas autoritárias.
Lula criticou as atitudes de Donald Trump e as agressões a outros países. Ele defendeu o multilateralismo e reafirmou a soberania brasileira diante das pressões geopolíticas. “Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ameaçar outros países o tempo todo com guerra”, disparou.
“Precisamos colocar este mundo em ordem; ele está se transformando em um único campo de batalha”, acrescentou o líder brasileiro. “No ano passado, foram gastos 2,7 trilhões de dólares com armas e militares. Esse dinheiro poderia ser melhor empregado no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina”, disse.
Falando sobre as instabilidades provocadas pelo comportamento errático de Trump, Lula afirmou que não existe fórmula mágica para lidar com chefe da Casa Branca, mas insistiu que o respeito entre os países depende da capacidade de cada governo de se impor politicamente. “Ninguém respeita alguém que não se faça respeitar”, afirmou.
Lula também contestou o argumento utilizado pelo presidente dos Estados Unidos para justificar medidas tarifárias contra o Brasil. “Essas tarifas são um erro, porque os Estados Unidos têm há anos um superávit comercial com o Brasil. Então não vamos contar histórias falsas”, afirmou.
Em mais uma oportunidade, Lula deixou claro que o Brasil não aceitará ficar dependente de um único parceiro comercial. “Se Trump não quiser comprar nada de mim, eu procuro meus compradores em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para os produtos brasileiros. Eu não vou ficar sentado lamentando”, disse.
A entrevista também abordou os efeitos das guerras sobre a economia e a segurança alimentar. Sobre ops efeitos da guerra de agressão ao Irã, Lula afirmou que o governo brasileiro agiu para impedir que a escalada internacional fosse transferida diretamente ao custo de vida da população.
“Aqui no Brasil, nós tomamos medidas para impedir que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. Assim evitamos que a guerra chegue à mesa do almoço dos brasileiros”, afirmou. Ele citou ainda os avanços do país em biodiesel e etanol como parte de uma estratégia de maior autonomia energética.
No campo agrícola, Lula voltou a defender a reconstrução da indústria nacional de fertilizantes. “Nós deveríamos ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. Em vez disso, o governo do meu antecessor fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora estamos tentando reconstruir uma indústria própria. Não podemos nos tornar dependentes dos outros”, disse.
Ao tratar da América Latina, Lula condenou as intervenções dos Estados Unidos na região e reafirmou o princípio da autodeterminação dos povos. “A América Latina é uma zona de paz. Por isso somos contra o bloqueio econômico que os Estados Unidos impuseram a Cuba há mais de 60 anos”, afirmou. Sobre a Venezuela, o presidente foi igualmente enfático ao rejeitar ingerências externas. “Assim como Putin não tinha o direito de invadir a Ucrânia, Trump não tem o direito de intervir na Venezuela ou ameaçar Cuba”, declarou.











