Projeto 14-X da Força Aérea Brasileira (FAB) está ligado a um movimento mais amplo do governo brasileiro de fortalecimento da base tecnológica e industrial de defesa ao lado da retomada da Avibrás
Em reportagem desta sexta-feira (17) no site de notícias Sputnik Brasil, engenheiros aeroespaciais comentaram o Projeto 14-X da Força Aérea Brasileira (FAB) e afirmaram que ele está ligado a um movimento mais amplo do Brasil de fortalecimento da base tecnológica e industrial de defesa ao lado da retomada da Avibrás por meio de capital privado e da entrega do primeiro caça F-39 Gripen.
FAB NA VANGUARDA
O projeto da FAB mira revolucionar a inovação aeroespacial do Brasil e consolidar a posição do país na elite tecnológica global. Liderado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da FAB.
Segundo a reportagem, o Projeto Estratégico de Propulsão Hipersônica 14-X (PROPHIPER 14-X) desenvolve um foguete hipersônico capaz de atingir dez vezes a velocidade do som. Para atingir esse nível, o foguete será equipado com um motor scramjet, que permite alcançar uma velocidade Mach 10 de 12 mil quilômetros por hora.

Para servir de lançador do foguete hipersônico, surgiu o projeto RATO-14X (Rocket Assisted Take-Off), um foguete de decolagem que impulsionará o 14-X até 30 quilômetros de altitude, onde o scramjet assumirá o controle. Esse lançador deve ter cerca de 14 metros e 15 toneladas. Ainda em fase experimental, o 14-X não tem planos de produção replicada ou integrada com sistemas de armamentos reais, mas seu desenvolvimento é aguardado para 2030.
NOVAS AERONAVES
Rafael Gigena Cuenca, professor de engenharia aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no campus Joinville, explica que a propulsão por scramjet é a fronteira tecnológica da propulsão de aeronaves hipersônicas que hoje são viáveis com os motores de foguetes. “Por isso, hoje avançar nessa tecnologia permite no futuro ao Brasil desenvolver essas aeronaves com maior independência e soberania, principalmente porque esses motores têm potencial aplicação militar”, diz o pçrofessor.
Ele acrescenta que a importância estratégica do projeto está no uso de defesa militar na construção de sistemas de lançamento de sistemas balísticos, a exemplo dos armamentos que hoje são usados na guerra do Irã. “Um motor desse tem a previsão de melhorar os futuros armamentos, pois demandam menor consumo de combustível”, acrescenta o engenheiro aeroespacial.
Para o professor de engenharia aeroespacial da Universidade Federal do ABC (UFABC) Annibal Hetem Junior, o 14-X representa um salto qualitativo na capacidade tecnológica do Brasil na área aeroespacial. À reportagem, ele diz que desenvolver um veículo hipersônico com motor scramjet coloca o Brasil em um grupo extremamente restrito de nações que dominam essa fronteira da engenharia.
INOVAÇÃO EM VÁRIAS ÁREAS
“O veículo em desenvolvimento é um demonstrador, ou seja, sua função é demonstrar o quanto da nova tecnologia está dominada. Além disso, o 14-X também impulsiona inovação em múltiplas frentes, como aerodinâmica em regime hipersônico, materiais resistentes a altas temperaturas, controle de escoamentos compressíveis e integração entre estrutura e propulsão”, observa Hetem.
Ele acrescenta que os avanços alcançados no projeto não ficam limitados ao setor militar ou espacial — irradiam para universidades, centros de pesquisa e indústria, elevando o nível técnico nacional. Na prática, avalia o especialista, o projeto posiciona o Brasil como um ator relevante no desenvolvimento de tecnologias críticas para o futuro do acesso ao espaço e de veículos de altíssima velocidade. “Esse projeto é um catalisador de conhecimento, formação de pessoal altamente qualificado e autonomia tecnológica, exatamente o tipo de iniciativa que redefine o patamar de inovação de um país”, afirma.
Hetem afirma que a tecnologia hipersônica envolve aeronaves que voam acima de Mach 5 e é estratégica porque muda o jogo em três frentes: tempo, alcance e controle. Ele destaca que esses novos veículos reduzirão drasticamente o tempo entre lançamento e chegada. Em aplicações militares, isso significa capacidade de resposta quase imediata e menor janela de reação do adversário.
“Por outro lado, nas aplicações civis, abre caminho para transporte ultrarrápido e acesso mais eficiente ao espaço. Do ponto de vista de operação, os motores como scramjet usam o oxigênio do ar, que quando se compara a um foguete, significa carregar menos massa de oxidante, o que aumenta a eficiência em voo atmosférico”, diz o especialista.
NOVAS TECNOLOGIAS
Além disso, ele aponta que o projeto abre a possibilidade de projetar futuros veículos que combinem a propulsão de avião com a de foguete, com trajetórias mais flexíveis. No entanto, Hetem pondera que, do ponto de vista do domínio tecnológico de ponta, o projeto envolve problemas críticos: escoamento compressível, combustão supersônica, materiais a altíssimas temperaturas e controle em regime extremo.
“Quem domina isso domina uma cadeia de conhecimento que impacta aeroespacial, defesa, materiais avançados e computação de alto desempenho”, resume o professor.
Ele enfatiza que, ao lidar com fenômenos extremos — como os escoamentos compressíveis em altíssimas velocidades, combustão supersônica e aquecimento aerodinâmico severo —, o projeto força o desenvolvimento de competências avançadas em modelagem numérica, materiais de alta temperatura, instrumentação e validação experimental.
“Esse avanço não fica isolado: ele se difunde para universidades, centros de pesquisa e indústria, elevando o nível técnico nacional e formando recursos humanos altamente qualificados. Com isso, cria-se uma base industrial capaz de atuar em cadeias de alto valor agregado, com impactos que vão além do setor aeroespacial.”
SOBERANIA NACIONAL
Porém, a capacidade do projeto de colocar o Brasil na elite tecnológica global está diretamente ligada à sua continuidade. Segundo Hetem, sem campanhas sistemáticas de testes e evolução progressiva dos protótipos, o projeto corre o risco de permanecer apenas como demonstrador tecnológico e nada mais. Ele ressalta que, quando sustentado e com continuidade, o 14-X contribuirá diretamente para a soberania nacional, ao reduzir a dependência externa em tecnologias estratégicas e ao garantir domínio sobre conhecimento sensível.

“Também fortalece a capacidade de dissuasão, ao incorporar tecnologias de difícil interceptação e alto desempenho. Em termos práticos, isso amplia a autonomia decisória do país em cenários críticos e aumenta seu poder de negociação internacional. O 14-X não é apenas um projeto tecnológico, mas um vetor estruturante de soberania, inovação e posicionamento estratégico do Brasil no cenário global”.
Hetem frisa que “o 14-X não é um projeto isolado”, mas um movimento mais amplo de fortalecimento da base tecnológica e industrial de defesa do Brasil, ao lado de iniciativas como a retomada da Avibrás por capital privado e a incorporação do F-39 Gripen, desenvolvido com a Saab.
Ele avalia que esses três eventos se complementam e estruturam o futuro do desenvolvimento tecnológico. O Gripen representa um salto na capacitação nacional em integração de sistemas complexos, engenharia aeronáutica avançada e processos de certificação, com transferência efetiva de tecnologia e formação de recursos humanos altamente qualificados. Quanto à Avibrás, Hetem aponta que, ao ser revitalizada, ela reforça a base industrial necessária para transformar conhecimento em produto, garantindo capacidade de fabricação, desenvolvimento de sistemas e sustentação logística dentro do país.
FRONTEIRA DO CONHECIMENTO
“Já o 14-X fica na fronteira do conhecimento, impulsionando áreas críticas como aerotermodinâmica hipersônica, combustão em regime supersônico e materiais de altíssimo desempenho. A interação entre esses três elementos criará um ecossistema tecnoindustrial mais robusto, no qual conhecimento, indústria e inovação avançada deixam de operar de forma isolada e passam a se reforçar mutuamente.”
Segundo ele, esse alinhamento será fundamental para evitar a fragmentação de esforços e garantir a continuidade tecnológica. “Do ponto de vista estratégico, isso reduz a dependência externa em sistemas críticos e amplia a autonomia decisória do país. Também fortalece a capacidade de inovação incremental e disruptiva, ao permitir que tecnologias desenvolvidas em um contexto sejam adaptadas em outros”, conclui o especialista.
Com informações de Sputnik Brasil












Respostas de 14
Não adianta melhorar os equipamentos sem antes reformar as forças armadas.
As Forças Armadas brasileiras são um entrave caro: funcionam como sistema previdenciário de luxo, com mais generais que os EUA — país em guerra, enquanto vivemos em paz.
Proclamaram a república para tomar o poder e, desde então, se julgam donas dela, intervindo em golpes e ameaças. Subservientes aos EUA, ignoram que Washington é a maior ameaça política à América Latina há décadas.
A aceleração dos programas espaciais, e o desenvolvimento da avibras, o projeto de desenvolvimento aeroespacial, com o 14 x nos coloria num lugar de visão internacional, temos um território muito grande, e a soberania nacional e defendente de termos forças de discussão, não esquecemos que a barreira do inferno depois do incêndio perdeu relevância internacional, junto com o programa do gripe f 39 são fundamental para proteger os interces nacional.
O Brasil precisa sim desse poder para se proteger ou no mínimo dizer para o agressor que está preparado se entrar no meu quintal, e penso eu que não precisa ficar divulgando, ninguém em sã consciência é inteligente vai ficar falando para o bandido que tem alarme ou cachorro pitbull na sua casa; mas o Brasil precisa em áreas criticas no mínimo e de urgência é de um Sistema de antiaéreo, só se fala em comprar mas nada de concreto até o momento, não fique depois querendo se proteger com sistemas de baixo alcance que não vai dar, um país como o Brasil, continental, deve ter estes sistemas para o ano passado, se não me engano não tinha um interesse em um sistema Italiano? Acho que de médio alcance, que seja, mas melhor ter este que nenhum. Muito obrigado.
Quem Flávio Bolsonaro ,pensa que é? quem o autorizou a falar por nós? 211 milhões de Brasileiros, aproximadamente.
____O mundo já tem tantos problemas e aparece esses extremistas travestidos de gente boa, para desorganizar e destruir tudo o que a duras penas se construiu ao longo de muitos anos; como a conscientização sobre, aquecimento global, proteção das florestas, melhor uso dos recursos naturais, combates as doenças, fabricação e uso de vacinas, principalmente contra a COVID 19. O mundo não merecia essa gente. A América, o Brasil, a Argentina, a Hungria ,e por aí vai; esqueci alguns como esse Sr Buquele. Família Bolsonaro não tem procuração para vender o Brasil.
Pelo visto tá Felizão com a família Silva com suas aptidões de apedeutas, corruptos, ladrões de velhinhos aposentados e prometendo a 4 cada anos há 30 anos debelar a fome no Brasil além de ser subserviente ao bloco China, Rússia e Irã. Tambem é claro de ser comparsa e capacho do centrão ou seja do núcleo político podre da política brasileira que juntos prenderam de forma ilegal o único nome da política brasileira anti PT e anti SISTEMA do Brasil . Ademais a depender deste Sr e do PT não haveria a Embraer e nem projeto 14-X porque ambos so existem por causa do dcta e do ITA instituto modelo cívico militar do qual eles são adversários e descrentes.
Que confusão, leitor! Daqui a pouco você vai dizer que foi o Bolsonaro quem fundou a Embraer. Pelo menos, já promoveu o ITA a “instituto modelo cívico militar”. E consegue ser contra o Lula e o Centrão, ao mesmo tempo, porque teriam trancafiado o seu ídolo – que, por sinal, foi condenado, de acordo com a lei, pela Justiça. Com essa confusão, tudo é possível. Convenhamos que o samba do crioulo doido, do falecido Stanislaw Ponte Preta, era mais esclarecedor.
Fizeram, mas vão ter dinheiro para o combustível? Parece que tem aviões da FAB parados porque não tem combustível para voar! kkk
Combustível é o que não nos falta – desde o pré-sal, fonte de petróleo que pode ser refinado, até os milhões de hectares que podem produzir etanol e outros biocombustíveis.
Que pena, o nosso país tão imenso, mas cheio de pessoas acéfalas.
Nem tanto, leitor, nem tanto. Veja os nossos avanços tecnológicos.
É um avanço heroico da Fab, mesmo tendo que gastar combustível em 111 viagens de avião carregando apenas uma pessoa. Usam os parcos recursos das forças armadas para uso próprio ao invés de direcionar para desenvolvimento.
boa noite.esta na horas de acabar com as aposentadoria das filhas,filhos de generais,que não um prejuízo de 25 bilhões ao cofre público,temos que acabar de vez com aposentadoria culpusoria de juízes, desembargadores…está na hora de por esse país na linha..tem outra questão acabar com aposentadoria da anistia,na verdade bolsa ditadura…são um bando de canalhas que vivem nas regalias e seas mordomias.
Você acha que o problema do Brasil são as aposentadorias? Até podemos acabar com algumas, mas, com certeza, isso não resolverá esses nossos problemas. Além disso, se conseguimos avançar tecnologicamente mesmo com essas aposentadorias, isso não revela que este não é o problema?
O Brasil precisa valorizar os engenheiros formados em nossas universidades e dar condições á eles para se desenvolverem
Para o bem de nossa nação e suas famílias. Deixar eles dependentes de empregos da iniciativa privada como não de obra escrava presos numa ctps ou um contrato que pode ser rompido a qq momento e deixá-los a todo tipo de sorte. A falta de políticas de acompanhamento para avaliar o que o país ganha ou perde com esse desleixo de nossas alteridades , isso sim é associação de crimes impunes á décadas. Nas sociedades modernas tudo passa pela engenharia não saber avaliar isso é um retrocesso ao o que ocorria no período medieval . Os amigos do rei de plantão tudo….. ao povo impostos.