Irã fecha de novo o Estreito de Ormuz em resposta ao bloqueio naval dos EUA

Ato ilegal de Trump obrigou o Irã a retaliar a agressão. (Foto Giuseppe Cacace /AFP)

Condenando os “atos de pirataria e sabotagem marítima” do governo Trump, as autoridades iranianas anunciaram neste sábado que a situação do estreito voltará a seguir sob seu domínio e fechado

As autoridades iranianas denunciaram neste sábado (18) que diante dos “atos de pirataria e sabotagem marítima” adotadas pelo governo Trump, com a manutenção de um criminoso “bloqueio” naval ao país, a situação no Estreito de Ormuz permanecerá sob sua exclusiva soberania.

No âmbito dos “acordos previamente alcançados em negociações e de boa- fé”, esclareceu o porta-voz do Quartel-General Central do Irã em Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, a República Islâmica havia concordado em permitir a passagem controlada de um número limitado de navios petroleiros e comerciais pelo estreito, o que foi desrespeitado pelos EUA.

“Como resultado, o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restabelecido ao seu estado anterior, e essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, acrescentou o porta-voz. Após o alerta, na manhã de hoje, uma embarcação iraniana atirou contra ao menos dois navios mercantes que tentaram atravessar o estreito, logo após o país informar que a via estava fechada novamente. 

A via marítima entre o Irã e Omã não ultrapassa os 35 quilômetros de largura em alguns trechos, o que facilita o controle por parte dos dois países. O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito, e, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito, disparando contra alguns deles e implementando minas navais.

Desta forma, esclareceu, enquanto os Estados Unidos não garantam a total liberdade de navegação das embarcações iranianas até os seus destinos, a circulação estará suspensa

Conforme a agência de notícias Reuters, embarcações mercantes foram avisadas pela marinha iraniana, via rádio, que nenhum navio está autorizado a passar.

“Como resultado, o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restabelecido ao seu estado anterior, e essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, acrescentou o porta-voz.

Numa atitude provocativa, Trump disse que o estreito está “completamente aberto e pronto” para negócios e tráfego, mas que “o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor no que diz respeito ao Irã”, até que as negociações “estejam 100% concluídas”.

Segundo as Nações Unidas, é pelo estreito que fluem cerca de 20% da produção mundial de petróleo bruto do mundo, assim como gás natural liquefeito e fertilizantes. De acordo com a avaliação sobre o transporte marítimo de 2025 foram em média 144 navios por dia, dos quais 37% são petroleiros, 17% navios porta-contêineres e 13% graneleiros.

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