Focus aumenta projeção para taxa Selic: 14% no fim deste ano
Os bancos e demais instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) voltaram a elevar os juros, de 13,75% para 14% no final de 2026, segundo o Boletim Focus do BC, divulgado nesta segunda-feira (22).
Os bancos criticam o BC por não ter seguido o ‘script’ desenhado por eles, nas últimas semanas, para cessar o ciclo de cortes no patamar da taxa básica de juros (Selic) e encabeçar uma nova escalada dos juros logo em agosto.
Na última quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC rduziu o nível da Selic em apenas 0,25 ponto percentual. Somando-se às duas últimas decisões do colegiado, que também fizeram cortes insuficientes de 0,25 p.p., a Selic caiu de 15% – patamar em março deste ano – para 14,25% ao ano.
Com isso, o juro real se mantém em 10% a.a., deixando o Brasil com as maiores taxas de juros reais do planeta. O juro real, na prática, é o lucro que os bancos obtêm com as aplicações financeiras, após descontada a inflação da taxa de juros nominal.
A insatisfação dos bancos ocorre no exato momento em que os gastos do setor público com juros atingiram R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB (Produto Interno Bruto), no acumulado em 12 meses até abril deste ano.
Essa soma surreal só foi possível graças à ação do BC de elevar o nível da Selic de 10,5%, em setembro de 2024, para 15%, em meados de junho do ano passado.
ARROCHO
Desprezando a responsabilidade que o alto nível dos juros tem sobre o aumento da dívida pública, banqueiros e rentistas voltam a cobrar mais “ajuste fiscais” sobre a população.
Eles dizem que o governo Lula deveria dar um aceno mais favorável à medidas alinhadas à agenda neoliberal, como a desvinculação de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, assim como acabar com os pisos constitucionais na Saúde e Educação.
Os banqueiros exigem cortes nos investimentos públicos pelo simples fato de o governo ter agido para atenuar os impactos das oscilações de alta do barril de petróleo no mercado internacional – decorrentes da agressão dos Estados Unidos ao Irã, iniciada em 28 de fevereiro e que se estendeu por mais de 100 dias.











