CPTM investe R$ 97 milhões na Linha 10, enquanto Tarcísio tenta privatizá-la

Foto: CPTM/Reprodução

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) assinou um contrato de R$ 97 milhões para a execução de obras civis de adequação de acessibilidade nas estações Prefeito Celso Daniel-Santo André e Mauá, da Linha 10-Turquesa. O acordo foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Segundo o documento, o contrato foi firmado com o Consórcio LK-JZ para realização dos serviços e tem vigência de 42 meses, onde prevê intervenções voltadas à adaptação das estruturas às normas atuais de acessibilidade.

A planilha contratual indica obras em praticamente toda a estrutura das estações, incluindo acessos às plataformas, saguões leste e oeste, áreas externas, comunicação visual, instalações hidrossanitárias, sistemas elétricos, telecomunicações, remanejamento das linhas de bloqueios, sinalização ferroviária, rede aérea e até intervenções em via permanente.

O processo para contratação das obras teve início em dezembro de 2024, quando o edital foi aberto pela CPTM. A licitação, no entanto, enfrentou entraves durante a fase de habilitação das empresas participantes. Na ocasião, uma concorrente foi inabilitada pela companhia durante a análise documental.

Segundo a CPTM, as obras devem começar em maio, simultaneamente nas duas estações. A companhia informou ainda que as estações também passarão por adequações para atendimento às normas de acessibilidade, à Norma Regulamentadora 24 (NR24) e para obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVBC). 

Durante algumas etapas das intervenções, poderá haver interdição parcial ou total das plataformas. “Será elaborada uma estratégia operacional visando à mínima interferência aos passageiros”, pontuou.

O valor final do contrato ficou abaixo do orçamento de referência da licitação, estimado em R$ 103,6 milhões no edital. 

Porém, esse investimento nas duas estações será feito em meio à privatização da Linha 10 à iniciativa privada. Segundo planos do governo, o ramal será leiloado juntamente com a Linha 14-Ônix, de VLT, ainda em 2026. A privatista terá que modernizar a Linha 10 além de ampliar e construir novas estações e adquirir trens modernos.

DESCASO

No último dia 10 de abril, o governo do estado recuou da decisão de retirar os trens mais novos da Linha 10-Turquesa após críticas de passageiros e questionamentos sobre os critérios da mudança.

A linha, que atende cinco cidades do Grande ABC, havia começado a receber composições mais antigas, de até 18 anos de uso, enquanto trens com cerca de seis anos foram direcionados para linhas já concedidas à iniciativa privada.

A substituição da frota teve início em 20 de março e ocorreria gradativamente até maio. Após a repercussão negativa, o governo estadual voltou atrás. Na ocasião, a administração estadual afirmou que a reorganização operacional seguia critérios técnicos e de eficiência do sistema ferroviário. Atualmente, circulam 477.861 usuários por dia na Linha 10-Turquesa, segundo dados da CPTM.

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