“Ataques terroristas de Kiev não impedem que forças russas libertem uma população após outra”, afirma Putin

Centro de operações de drones ucraniano destruído por forças russas (AFP)

Em um encontro com formandos de academias militares russas no Kremlin, o presidente Vladimir Putin afirmou que “todos esses ataques terroristas ucranianos, incluindo os ataques a um ônibus que transportava crianças bielorrussas e a uma residência estudantil em Starobilsk, são incapazes de influenciar os eventos que ocorrem na frente de batalha, na linha de contato onde, como já disse, as tropas russas estão libertando uma população após a outra, um território após o outro.”

Ele afirmou que a Rússia está pronta para negociações de paz com a Ucrânia, desde que levem em consideração os acordos alcançados em Istambul na primavera de 2022, as modalidades discutidas em Anchorage (encontro Putin-Trump em janeiro) e as “realidades atuais no terreno” – ou seja, reconhecimento da soberania russa, que foi aprovada por referendos pelas respectivas populações, sobre o Donbass (Donetsk e Lugansk), Crimeia, Zaporozhia e Kherson.

Como tem reiterado Putin, trata-se da eliminação das causas profundas do conflito, entre elas a expansão da Otan às fronteiras russas e a violação dos direitos da população russófona na Ucrânia, além dasuspensão de todas as sanções contra a Rússia, para que haja uma paz duradoura.

Enquanto Kiev vem intensificando os ataques contra alvos civis e de infraestrutura na Rússia, os dois maiores contra São Petersburgo no dia 4 e contra Moscou, no dia 18, quando em 35 horas mais de 310 drones foram abatidos e inclusive uma refinaria foi atingida. O alto mando ucraniano também prometeu tornar a Crimeia “uma ilha”, que seria isolada da Rússia por ataques de drones e mísseis.

As recentes pressões da Europa para apresentar ultimatos à Rússia e para alegar que não pode “ficar de fora” das decisões, levou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a comentar que “os europeus têm uma ideia muito equivocada de que as negociações com a Rússia devem ser conduzidas a partir de uma posição de força, baseada em nossa suposta fraqueza. Isso é um grande erro. Não sabemos ao certo se isso decorre da incompetência, da desinformação ou da estupidez europeias, mas é um fato”.

KONSTANTINOVKA

A declaração de Putin foi feita em meio aos relatos de que o cinturão de fortalezas ainda sob controle do regime de Kiev no Donbass – o entorno de Slavyansk e Kramatorsk – começa a ruir com os avanços em Konstantinovka, uma das quatro cidades unidas numa conurbação. E com os russos tendo alcançado as áreas mais elevadas, que lhes permite estabelecer o controle de tiro sobre os corredores de acesso. Fortificado desde o golpe de 2014, era tido como “inexpugnável” pelo regime.

O centro histórico de Konstantinovka já foi tomado e agora está em curso uma varredura para neutralizar eventuais focos de resistência. Na semana passada, com a fuga dos neonazis de Rai-Aleksandrivka e mais seis localidades, nos mapas aumentou a área do que deixa de ser marcado em cinza (disputa) e passa para vermelho (libertado). Faltam menos de 8% da área total do Donbass.

Questão que mereceu do comentarista da agência RIA Novosti Kirill Strelnikov a observação de que o exército russo “está entrando na reta final da libertação do Donbass”. Superado esse reduto, não haverá mais obstáculo notável até alcançar o rio Dnieper, fronteira natural, e a completa libertação do Donbass.

Inclusive há relatos de que os ucranianos já começaram a transferir de Kramatorsk para a região ocidental da Ucrânia, a que mais se identifica com os neonazis no poder, indústrias e centros de operação que funcionam na cidade.

RÚSSIA DESTRÓI CENTRO DE DRONES UCRANIANO

Na quarta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia comunicou a liberação de Ivolzhanskoye na região de Sumy e, nas últimas 24 horas, a destruição de um centro de drones das forças de operações especiais da Ucrânia. Na República Popular de Donetsk, as forças russas se aproximaram ainda a uma distância de 3 km da cidade de Dobropillya.

Já pelo lado dos neonazistas ucranianos, ataques contra civis se sucederam em Yenakiyevo, na região de Donetsk, em que um drone de combate atingiu um ônibus de passageiros que fazia a linha de Moscou a Simferopol, matando oito e ferindo dez. O bombardeio a uma residência estudantil em Starobilsk,, em Lugansk, matou 21 e feriu 40. Um ônibus escolar bielorruso em viagem de férias na Rússia foi alvejado, com uma mulher morta e oito feridos.

Para o especialista militar Yuri Knutov, esses ataques, mais as tentativas de interromper o fornecimento de suprimentos para a Crimeia pela rota terrestre usando drones, demonstram que a Ucrânia adotou táticas terroristas: “sua principal tarefa é intimidar a população civil e gerar pânico”.

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