“Traidores da Pátria devem pedir desculpas”, afirma Itamaraty, após pedido de Flávio Bolsonaro

Candidato bolsonarista com bonequinhos de Jair Bolsonaro e Donald Trump - Foto: Reprodução/X

Candidato da extrema-direita pediu inscrição para participar de audiência nos EUA sobre tarifas contra o Brasil

Caíram do cavalo aqueles que achavam que já tinham visto tudo em matéria de vassalagem ao atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump, por parte do clã Bolsonaro e de seu candidato à Presidente.

O senador Flávio Bolsonaro, embora não tenha tido um único voto nos EUA, nem poderia, pediu para participar de uma audiência nos Estados Unidos que tratará, mais uma vez, das tarifas unilaterais e criminosas impostas contra os produtos brasileiros que são importados por aquele país.

O Itamaraty reagiu de pronto e, sem citar nomes, publicou uma nota contundente em que afirma que “os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”.

Segundo a pasta, audiências públicas da Seção 301 nos Estados Unidos são espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil e que outros importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como China e União Europeia, não enviam representantes às audiências públicas.

O escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs no início do mês a imposição de uma tarifa geral de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, após uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.

No começo da semana, Flávio Bolsonaro apresentou um pedido para participar da audiência pública prevista para 6 de julho. Em sua solicitação, o senador afirmou, cinicamente, que “se manifestará contra a medida proposta (pelos Estados Unidos) e a favor de uma solução construtiva e negociada”.

Na discussão sobre a possível imposição de novas tarifas à economia brasileira, o “01” afirmou, depois de todo um histórico de capachismo, que defenderá melhor os interesses do país do que o presidente Lula e por considerar que um aumento das tarifas seria contraproducente.

Pura encenação de quem integra um clã cuja ação recorrente tem sido no sentido de açular ações comerciais hostis por parte do governo Trump contra o Brasil. Basta acompanhar as ações e declarações do outro filho de Bolsonaro, Eduardo, mais conhecido como “Bananinha”, aboletado em território americano desde o ano passado e cuja permanência nos EUA, segundo as últimas revelações sobre o escândalo de produção do filme “Dark Horse”, foi e é financiada por dinheiro desviado do falido Banco Master do presidiário Daniel Vorcaro.

Apesar do governo brasileiro já ter demonstrado, fartamente, que a balança comercial, nos últimos anos, é amplamente favorável aos EUA, Trump insiste na guerra tarifária contra o Brasil, mesmo depois de duas reuniões com o presidente Lula em que essa realidade da relação comercial entre os dois países foi esclarecida.

Em 2025, Washington impôs tarifas punitivas de 40% sobre produtos brasileiros, depois que Trump classificou como uma “caça às bruxas” o julgamento de seu aliado político, Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado.

Em maio, Flávio foi recebido na Casa Branca por Donald Trump. O registro do encontro foi reduzido a uma fotografia em que o capacho aparece em pé ao lado de Trump, sentado, mais parecendo um serviçal do atual inquilino da Casa Branca.

Pouco dias depois, Washington classificou como terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), os dois maiores grupos criminosos do Brasil, e propôs uma nova rodada de tarifas, medidas duramente criticadas pelo presidente Lula.

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