Assessor de Trump ofende brasileiras a quem se refere como “raça maldita”

"Brasileiras são programadas para criar confusão", diz Zampoli, amigo de Trumpp (Oliver Bunic-AFP)

O enviado especial do governo Trump para “assuntos globais” e ex-dono de uma agência de modelos, Paolo Zampolli, em entrevista à emissora italiana, RAI, proferiu ofensas misóginas contra as mulheres brasileiras, a quem chamou de “raça maldita”, “prostitutas” e “programadas para causar confusão”, declaração voltada para desqualificar sua ex-esposa, a brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, com quem foi casado por 20 anos e com a qual disputa nos tribunais a guarda do filho de 15 anos.

Ungaro foi deportada para o Brasil em outubro passado pela Gestapo de Trump, a ICE. O que, segundo o The New York Times, foi armado por Zampolli. Ele é ex-agente de modelos e integrante de longa data do círculo íntimo de Trump, além de conhecido pelos escândalos, ostentação e racismo.

Autoridades brasileiras repeliram os ataques às mulheres brasileiras, com o Ministério das Mulheres em nota de repúdio classificando as declarações como preconceituosas, desumanizadoras e reforçadoras de ódio. “Impossível não se indignar”, disse a primeira-dama, Janja Lula da Silva. Organizações de defesa dos direitos das mulheres denunciaram a misoginia e xenofobia.

“PROGRAMADAS”

Questionado por um repórter se seria uma “questão genética”, Zampolli respondeu que as “mulheres brasileiras são programadas”. “Para extorquir?”, perguntou o jornalista, que tem como resposta: “Não, para causar confusão”.

Conforme o NYT, Zampolli teria ligado em junho de 2025 para o então alto funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), David Venturella, após a prisão de sua ex-esposa, em Miami, por suposta fraude.

O ex-agente de modelos sugeriu que sua ex-mulher estava irregular no país, segundo registros obtidos pelo jornal e uma fonte a par do assunto.

Ainda de acordo com o NYT, Venturella acionou o escritório do ICE em Miami, destacando que o caso interessava a alguém próximo da Casa Branca, para garantir que agentes do órgão buscariam Ungaro na prisão antes que ela fosse libertada sob fiança.

DEPORTADA DEPOIS DE 23 ANOS

Ela foi colocada sob custódia do ICE e depois deportada para o Brasil em outubro passado, após 23 anos nos EUA.

Ao NYT ela disse acreditar que a influência de Zampolli foi determinante na sua deportação e relatou que ele teria prometido casamento e estabilidade migratória durante o relacionamento; ela também o denuncia por violência doméstica e coação.

Quando da primeira eleição de Trump, foi a Zampolli que ele recorreu quando começaram os questionamentos sobre se sua esposa, Melania, trabalhara com visto inadequado nos EUA antes de conhecê-lo – uma reação à sua campanha anti-imigrantes.

Zampolli se apresentou como o responsável pelo visto de trabalho da agora da primeira-dama, na condição de agente de modelos na época.

Ungaro, em recente postagem, se colocou à disposição do Congresso americano para testemunhar sobre o escândalo Epstein. Ela relatou que, na sua primeira ida aos EUA em 2002, como modelo, viajou de Paris a Nova Iorque, ao lado de seu agente, Jean-Luc Brunel, no Lolita Express de Jeffrey Sachs e disse ter estranhado ver “30 meninas, bonitas e bem novinhas” a bordo mas sem perfil de modelo.

SISTEMA CORRUPTO

No sábado passado, em mensagem dirigida a Melania Trump, a ex-modelo brasileira anunciou que iria “derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida”. Postagem que foi uma reação à inusitada entrevista de Melania em que esta jurou jamais ter estado “na ilha” ou “no avião” de Epstein.

 “Eu te conheço há 20 anos. Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida — todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou — porque eu tenho caráter”, acusou Ungaro, no X.

Em outro comentário, ela prometeu “expor tudo” sobre Melania e Trump, a quem chamou de “pedófilo”. “Eu vou até o fim — não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (…) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema — tome cuidado comigo, sua idiota”, concluiu Ungaro.

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