“Não sou pedófilo, nem estuprei !”, esbraveja Trump e encerra entrevista

Trump se destemperou diante das perguntas da âncora doi programa 60 Minutes, Norah O'Donell (vídeo do 60 Minutes)

Diante de milhões de americanos, que assistiam ao vivo sua entrevista ao “60 Minutes”, o mais importante programa jornalístico da tevê americana, o presidente Donald Trump perdeu completamente a compostura

No domingo (26), alegou não ser “pedófilo” nem ter “estuprado alguém”, e chamando a jornalista Norah O’Donnell de “vergonha”, após ela ter indagado dele se achava que se referia a ele pessoalmente o ‘manifesto’ atribuído ao atirador Cole Thomas Allen, em que este diz não estar mais disposto a “permitir que um pedófilo, estuprador e traidor cubra minhas mãos com seus crimes”.

A entrevista acabou sendo interrompida abruptamente.

Allen, de 31 anos, foi preso no sábado após tumultuar, no saguão do hotel Washington Hilton, o jantar anual dos correspondentes de imprensa na Casa Branca, realizado um andar acima, ao qual Trump e outros figurões de seu governo estavam presentes, aliás, pela primeira vez em dois mandatos, e suspenso após se ouvirem cinco tiros à distância.

“Eu estava esperando você ler isso porque sabia que você leria, porque vocês são pessoas horríveis. Pessoas horríveis”, Trump retrucou incontinente – embora a questão da impunidade da ‘classe de Epstein’ seja um problema de primeira grandeza nos EUA, que tem preocupado desde os progressistas até setores do movimento MAGA.

Ao qual a própria primeira dama, Melania, sentiu necessidade de voltar na semana passada, em entrevista desde a Casa Branca, asseverando não ter estado “na ilha” [de Epstein] nem “no avião” [o Lolita Express].

Como observaram analistas, O’Donnell “não estava lendo uma acusação aleatória de um estranho. Ela estava lendo o motivo declarado de um suposto atirador que acabara de tentar invadir um hotel onde o presidente em exercício dos Estados Unidos deveria falar”.

Durante o entrevero com a jornalista, Trump acusou-a de dar importância a um “odiador de cristãos”, um “cara muito problemático”.

Logo Trump, que ofendera o papa Leão XIV por este se pronunciar contra a guerra ao Irã. E indo tão longe quanto postar uma imagem de IA encenando ser “Jesus” e, outra, depois, em que era “abraçado por Jesus”.

Mas como é que um indivíduo, que anuncia que vai “destruir uma civilização esta noite, que não ressuscitará”, se referindo ao Irã, pode pretender dar aulas sobre ódio ou civilidade? Ou que diz que seu único limite é “sua própria moralidade” – quando sobre ele recaem denúncias não só de estupro e pedofilia, mas de genocídio e cumplicidade com genocidas?

Obviamente, a expectativa de Trump para a entrevista era de ganhar pontos como milagroso sobrevivente pela terceira vez a um atentado, cantar bazófias sobre a guerra contra o Irã e fazer propaganda sobre seu suntuoso novo salão de baile na Casa Branca.

Mas, a coisa saiu um tanto diferente. A cena de Trump diante da jornalista já viralizou, jogando mais lenha na fogueira.

‘BEST FRIENDS’ EM MANHATTAN E PALM BEACH

Os vínculos de Trump com o traficante sexual condenado Jeffrey Epstein são bem documentados em fotografias, entrevistas e registros públicos, desde sua parceria nas rodas de Manhattan e em Palm Beach, então praticamente “best friends”.

Há a famosa entrevista de 2002 em que Trump se refere a Epstein como um “cara fantástico”. “Conheço Jeff há 15 anos. Cara fantástico (terrific guy). É muito divertido estar com ele. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são mais jovens.”

No início de 2026, o Departamento de Justiça divulgou mais de 3,5 milhões de páginas de arquivos relacionados a Epstein, com o nome de Trump aparecendo mais de 1.000 vezes nesses documentos. Trump nega tudo e não foi acusado de nada oficialmente.

Mas há o depoimento ao FBI em 2019, no qual uma mulher acusou Trump de abusar sexualmente dela quando ela tinha apenas 13 anos.

Em um dos e-mails de Epstein que vieram à tona, ele se refere a Trump como “o cão que não latiu”, por ter ficado de fora de uma investigação sobre abuso de menores, apesar “de ter ficado com uma por horas” na mansão do pedófilo.

Em 2023, um júri civil de Nova York concluiu que Trump havia abusado sexualmente da jornalista E. Jean Carroll em 1996. Carroll recebeu inicialmente 5 milhões de dólares depois que esse júri considerou Trump responsável por agressão sexual. Um segundo júri posteriormente adicionou 83,3 milhões de dólares em danos por difamação.

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