População desocupada é de 6,6 milhões. Na comparação anual, o contingente de pessoas procurando trabalho recuou 13%
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março deste ano, após alcançar 5,8% em fevereiro. Apesar do aumento, essa é a menor taxa já registrada em um mês de março desde o início da série histórica, iniciada em 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (30).
Por outro lado, essa também foi a primeira vez que o nível de desemprego no país ultrapassa os 6% em 10 meses.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE aponta que, ao todo, são 6,6 milhões de pessoas procurando trabalho no Brasil, o que corresponde a um crescimento de 19,6% (ou mais 1,1 milhão de pessoas) no trimestre encerrado em março de 2026, em comparação ao trimestre encerrado em dezembro de 2025. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a procura por empregos recuou 13,0% (menos 987 mil pessoas).
O IBGE afirma que o aumento da população desocupada no país no trimestre passado é típico dos primeiros três meses do ano, com o fim de contratos temporários, principalmente das atividade do comércio e serviços privados e públicos.
“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no Comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de Educação e Saúde no setor público municipal”, declarou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.
Contudo, os efeitos da definição do Banco Central de manter a taxa Selic (taxa básica de juros) em níveis elevados por tempo prolongado já se manifestam na economia por meio do desaquecimento das atividades produtivas. Esse cenário impacta negativamente nas decisões de investimentos e cortes de custos, impedindo novas contratações e levando à demissões.
No trimestre passado, não houve crescimento em qualquer grupamento em relação ao trimestre móvel anterior, mas reduções em três: Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,5%, ou menos 287 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,3%, ou menos 439 mil pessoas) e Serviços domésticos (2,6%, ou menos 148 mil pessoas).
No trimestre encerrado em março, a população ocupada ficou em 102 milhões de pessoas, sendo um recuo de 1% em relação aos três meses anteriores (menos 1 milhão de pessoas ocupadas). Frente a igual trimestre de 2025, houve crescimento de 1,5% (mais 1,5 milhão de pessoas).
Dos 102 milhões de pessoas ocupadas no país, 38,1 milhões estão na informalidade. Grande parte desses brasileiros vive dos populares “bicos” – sejam eles tradicionais ou via aplicativos -, ambos caracterizados por jornadas exaustivas e baixas remunerações.
Essa realidade é camuflada pela renda média, que atingiu R$ 3.722 no trimestre. Embora represente um ápice estatístico, esse valor mascara a realidade de baixos salários que predomina nas atividades de trabalho informais de serviços e comércio.











