“Único lugar para os americanos no Golfo Pérsico é no fundo de suas águas”, afirma líder Mojtaba Khamenei. No dia em que o Irã comemora 404 anos da libertação de Ormuz do domínio colonial, inquilino da Casa Branca posta mapa rebatizando-o “Estreito de Trump”.
Enquanto a grande mídia dos EUA sinalizava a divisão dentro do governo Trump, entre o risco de escalar a guerra contra o Irã e perder as eleições de novembro ou declarar “vitória” e bater em retirada, o presidente Donald Trump ameaçou prorrogar “por meses” o bloqueio naval ao Irã, levando o preço do barril do petróleo a disparar para 126 dólares o barril – e subindo. E, portanto, pisando no acelerador de uma crise mundial de estagflação e choque de escassez de petróleo.
Descartada por Trump, a proposta do Irã, no entanto, é muito sensata, tendo em vista as tensões que o fechamento do Estreito de Ormuz acarreta, por onde passa parcela imprescindível do petróleo, gás, fertilizantes, alumínio e gás hélio de que o mundo precisa.
Irã propôs primeiro, negociar as garantias de paz duradoura e de reabertura do Estreito, para, em uma terceira fase, buscar uma solução para a questão nuclear (criada pelo próprio Trump em 2018, ao rasgar o acordo JCPOA assinado pelo antecessor Obama com o Irã e a ONU). E tendo como aspecto primordial a reabertura do Estreito pelo Irã em troca do fim do bloqueio americano contra os portos e navios iranianos.
Reconhecido como feriado oficial na República Islâmica do Irã, o Dia do Golfo Pérsico comemora a expulsão das forças coloniais portuguesas da costa sul do país, há 404 anos. A data homenageia os eventos de 1622, quando o governante safávida Abbas I liderou as forças iranianas à vitória sobre os portugueses na ilha de Ormuz, pondo fim a uma guerra de duas décadas e a um século inteiro de domínio estrangeiro sobre o Golfo Pérsico.
“NOVO CAPÍTULO PARA O GOLFO PÉRSICO ”
O novo líder da Revolução Islâmica, Mojtaba Khamenei, divulgou uma mensagem para marcar o Dia Nacional do Golfo Pérsico, na qual lembrou os sacrifícios do povo iraniano pela independência do Golfo Pérsico e sua resistência contra estrangeiros e agressores.
Mojtaba enfatizou que “dois meses após a maior invasão e agressão dos tiranos do mundo na região, e após o retumbante fracasso dos Estados Unidos em seu plano, um novo capítulo está sendo escrito para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz. O futuro brilhante da região será um futuro sem os Estados Unidos, um futuro dedicado ao progresso, à paz e ao bem-estar de suas nações.”
“O único lugar para os americanos no Golfo Pérsico é no fundo de suas águas”, ele acrescentou, destacando que “seu estabelecimento nas terras do Golfo Pérsico é o principal fator de insegurança na região”.
“PRÓXIMA PARADA 140 DÓLARES”
A declaração de Trump que desencadeou a alta no preço do barril e nos ágios dos títulos do Tesouro foi feita diante de executivos da indústria de petróleo esta semana, aos quais ele asseverou que os EUA “continuariam o atual bloqueio por meses se necessário”, conforme uma fonte da Casa Branca.
Ao Axios, Trump disse ainda que o bloqueio “é mais efetivo que o bombardeio”. “Eles estão sufocando como um porco entalado”. À Fox News, asseverou que o Irã teria “cerca de três dias” até que sua infraestrutura ficasse saturada e “explodisse”.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, zombou dessas declarações. “Três dias depois, nenhum poço explodiu. Poderíamos expandir para 30 e transmitir o poço ao vivo daqui”, escreveu Ghalibaf em uma mensagem no X na quarta-feira (29).
“Este é o tipo de conselho infundado que o governo americano recebe de pessoas como [o secretário do Tesouro Scott] Bessent que promove a tese do bloqueio e é o responsável por impulsionar o preço do petróleo para além dos 120 dólares. Próxima parada: 140”, ele acrescentou.
“CHOQUE ESTAGFLACIONÁRIO”
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen disse na quarta-feira em discurso ao Parlamento Europeu em Estraburgo que o bloco pagou “quase 31,6 bilhões de dólares extras em apenas dois meses, sem receber uma única molécula adicional de energia”, referindo-se ao impacto financeiro direto sobre a Europa.
“O fracasso das negociações entre os EUA e o Irã, juntamente com a suposta rejeição do presidente Trump à proposta iraniana de reabertura do Estreito de Ormuz, fez com que o mercado perdesse a esperança de uma retomada rápida do fluxo de petróleo”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do banco de investimentos ING.
A continuação do bloqueio ameaça, também, países que dependem da importação de fertilizantes para produzir alimentos, bem como, no caso da escassez do hélio, os projetos ligados aos centros de IA e à fabricação de semicondutores. Já é crítica a situação do combustível para aviação.
“RETALIAREMOS COM ATAQUES PROLONGADOS E CONTUNDENTES”
O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, Majid Mousavi, advertiu ao Comando Central dos EUA (CENTCOM) que Teerã reagirá a qualquer hostilidade com ataques decisivos e sustentados, mesmo se forem incursões de curta duração. Os navios de guerra americanos que fazem o bloqueio naval “seguirão o mesmo destino das bases americanas” no Oriente Médio, avisou.
De acordo com o portal Axios, Trump deve receber um relatório detalhado do almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), sobre os novos planos militares. Para fontes familiarizadas com o assunto, o CENTCOM planeja lançar uma série de ataques descritos como “curtos, mas potentes”. O que se enquadra tanto na hipótese de escalada, quanto na de “declarar vitória e correr”.











