O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, respondeu de forma irônica e contundente às recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, à Fox News de que o Irã teria “cerca de três dias” até que sua infraestrutura de petróleo ficasse saturada e “explodisse”.
“Três dias depois, nenhum poço explodiu. Poderíamos expandir para 30 [dias] e transmitir o poço ao vivo daqui”, declarou Ghalibaf em uma mensagem no X na quarta-feira (29).
“Este é o tipo de conselho infundado que o governo americano recebe de pessoas como [o secretário do Tesouro Scott] Bessent que promove a tese do bloqueio e é o responsável por impulsionar o preço do petróleo para além dos 120 dólares. Próxima parada: 140”, afirmou o parlamentar iraniano.
Ao portal Axios, o inquilino da Casa Branca asseverara que o bloqueio “é mais efetivo que o bombardeio”. “Eles estão sufocando como um porco entalado”. Declaração ridicularizada por Teerã como propaganda sem fundamento técnico.
Também o secretário de Energia de Trump, Chris Wright, saiu como um papagaio repetindo a história de Bessent, acrescentando que o Irã não teria “muita capacidade de armazenamento de petróleo” e que seus “antigos reservatórios de baixa pressão” tornariam “muito mais destrutivo” caso o país paralisasse a produção.
Mas a história mais fantástica veio do próprio Trump, que na terça-feira simplesmente declarou a jornalistas que o Irã o informara de “estar em colapso” e pedira a ele que “abrisse o estreito”.
Em seu blog no X, o tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, Daniel Davis, comentou a bizarra declaração. “O Irã ‘disse’ a Donald Trump que estava ‘em estado de colapso’? Aparentemente, alguém se esqueceu de avisar o próprio Irã, porque a agência de notícias iraniana ISNA está relatando que o exército iraniano está se mobilizando por todo o país em preparação para uma nova guerra”.
Além disso, desde quando um adversário informa a outro sobre seus próprios problemas durante uma guerra? Ele ressaltou ainda que a falta de notícias sobre o “colapso” do Estado iraniano e o controle contínuo do Estreito não corroboram essa “teoria”.
Por outro ângulo, o ex-analista da CIA e atual comentarista da cena internacional, Larry Johnson, questionou a efetividade do bloqueio dos EUA aos navios e portos iranianos, observando que os navios de guerra dos EUA estão “a 200 milhas da costa iraniana”
“Se tentarem se aproximar da costa iraniana, ficarão vulneráveis a ataques de mísseis e drones. Então, tudo o que o Irã precisa fazer é navegar seus petroleiros a 50 milhas da costa para contornar o bloqueio dos EUA, o que parece ser o que o Irã está fazendo.”
Também prosseguem os esforços para pôr em prática as determinações de Mojtaba de uma “nova gestão” no Estreito sob a soberania iraniana e em conjunto com Omã, transformando o destino geográfico em poder econômico e estratégico duradouro, em resposta à agressão conjunta dos EUA e Israel contra o Irã.
Em entrevista à televisão iraniana, Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano descreveu os 11 artigos da versão final do “Plano de Ação Estratégica para Garantir a Segurança e o Progresso no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico”, que será submetido à votação.
A lei estabelece que qualquer embarcação em trânsito que necessite de cobertura de seguro e serviços marítimos deverá utilizar seguradoras iranianas e pagar as taxas especificadas para serviços e questões ambientais. Essas taxas serão calculadas e cobradas de acordo com padrões internacionais, de forma semelhante ao modelo do Canal do Panamá.
Para isso “o Banco Central do Irã abriu quatro contas especiais em rials [moeda iraniana], yuan, dólares e euros” para arrecadar taxas de passagem pelo Estreito de Ormuz .
“Considerando o uso indevido de bases regionais pelos Estados Unidos e a ameaça à segurança nacional do Irã, impor regulamentações rigorosas e impedir a passagem de embarcações militares hostis é nosso direito legal. Por outro lado, este plano será uma fonte sustentável de receita para o país ”, assinalou o deputado Alaedin Boroujerdi, também membro dessa comissão.
Na terça-feira, o superpetroleiro japonês Idemitsu Maru, com bandeira do Panamá, transitou com sucesso pelo Estreito de Ormuz após obter permissão das autoridades iranianas, vindo da Arábia Saudita. Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, é a primeira embarcação japonesa que transita pela hidrovia; o Japão obtém normalmente 95% das suas importações de petróleo da Ásia Ocidental.











